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  • Leonardo

Podcast Ser Consciente: 1º - Recolhimento e oração

O presente texto é uma transcrição do áudio do 1º Podcast - Ser Consciente, com o tema Recolhimento e oração, postado no dia 09/06. Caso queira conferir o podcast, você pode encontrá-lo em: https://www.spreaker.com/show/ser-consciente


Apresentação


Sejam bem-vindos ao nosso 1º encontro do Podcast - Ser Consciente. Nossa proposta é convidar a todos para que, uma vez ao mês, no encontremos para aquietarmos a mente e acalmar nossos sentimentos por meio de uma reflexão sobre uma curta passagem do Evangelho Segundo o Espiritismo. Convidamos todos a desfrutar de um pequeno momento de meditação e oração com a presença do seu Espírito Protetor e dos bondosos Amigos Espirituais, sentindo o equilíbrio, o fortalecimento da vontade e, principalmente, a paz que resulta do contato com nossa essência divina.

Vamos reservar então um momento para asserenar o corpo, o coração e mente. Procure, se possível, um ambiente calmo, reservado; coloque-se de maneira a se sentir confortável, se quiser, você pode se sentar em um sofá ou uma cadeira, ou mesmo deitar-se na sua cama. Agora, por três vezes, inspire o ar profundamente, expirando pela sua boca. Conforme realiza essas respirações, vá, lentamente, fechando os seus olhos até que na última respiração eles estejam completamente fechados. Agora, vamos elevar os nossos pensamentos ao Pai e orar...


Oração


Pai, criador de todo universo, de toda vida, criador de nossas vidas. Agradecemos por tudo que somos, pelo que temos, por onde estamos. Pelo alimento do corpo, do necessário para a nossa subsistência e pelo sagrado alimento da alma por meio dessa doutrina espírita tão consoladora, tão elucidativa. Ao nosso Mestre, muito obrigado pelo seu carinho e pela sua dedicação. Muito obrigado querido Amigo, pelos seus ensinamentos, pela sua vivência, pelo seu exemplo. Aos nossos Benfeitores Espirituais, a nossa gratidão por todo esforço que têm para conosco e, rogamos, abençoem, por favor, àqueles que sofrem e mais necessitam no mundo. Que recebamos as intuições e inspirações do alto para melhor desfrutar desses momentos de paz e harmonia. Com muita gratidão, iniciamos a nossa reflexão de hoje.


Tema: recolhimento e oração


Para iniciar, escolhemos trabalhar o tema recolhimento e oração utilizando um pequeno trecho do 1º item do capítulo XXVII d’ O Evangelho Segundo o Espiritismo, intitulado, Pedi e obtereis. O trecho é uma passagem do Evangelho de Matheus, capítulo 6, versículo 6. E ela diz assim:

Quando quiserdes orar, entrai para o vosso quarto e, fechada a porta, orai ao Pai [e Ele], que vê o que se passa em secreto, vos dará a recompensa.

Como a nossa intenção aqui não é esgotar todos os sentidos da mensagem, mas nos concentrar somente em um dos pontos dessa mensagem, segundo a nossa humilde perspectiva, convidamos aqueles que queriam aprofundar suas reflexões a ler tanto o capítulo 6 do evangelho de Mateus, quanto o capítulo XXVII d’ O Evangelho Segundo o Espiritismo, pois são, ambos, riquíssimos.

Pois bem, é importante observar que o capítulo 6 do evangelho de Matheus apresenta o Sermão da Montanha e que versículo 6 faz parte desse sermão. Mahatma Gandhi, certa vez disse que foi o Sermão da Montanha que o fez amar o cristianismo. E mais, ele disse também que:

“Se toda a literatura espiritual da humanidade perecesse, e só se salvasse o Sermão da Montanha, nada estaria perdido.”

E vale a pena lembrar também que o Sermão da Montanha foi a primeira pregação que Jesus realizou a um grande público e que ele contém toda a essência do cristianismo, como Gandhi bem observou. Assim, o que é dito no referido versículo pode ser considerado como algo essencial a todo cristão.

Mas o que Jesus gostaria de dizer ao propor que oremos ao nosso Pai no nosso quarto, em secreto? Muitos ensinamentos poderiam ser extraídos dessa passagem, mas gostaríamos de ressaltar importância do recolhimento para a conexão com Deus por meio da oração. Santo Agostinho no item 23, A felicidade que a prece proporciona, do mesmo capítulo mencionado do Evangelho Segundo o Espiritismo, ao se referir ao bem proporcionado pela oração, diz o seguinte:

Filha primogênita da fé, ela [a oração] nos encaminha para a senda que conduz a Deus. No recolhimento e na solidão, estais com Deus.

Vejamos como é interessante essa proposta: isolar-se para falar com Deus, ir ao quarto íntimo, recolher-se, colocar-se em um lugar propício para conversar abertamente com Deus. Isto, contudo, claramente não se refere somente a um espaço físico, mas também se refere, internamente, à nossa intimidade espiritual, isto é, a capacidade de se concentrar e se deter no ato de orar de tal forma que nada mais me perturbe.

Aí, sem ficar se culpando, mas sim, tendo em vista a importância de se realizar esse recolhimento no momento da oração, podemos nos perguntar: “Quando foi a última vez que orei de forma tão detida que, em nenhum momento, me distraí?” “Quando foi que consegui alcançar um recolhimento tão grande que senti em meu coração que estava recebendo auxílio divino que necessitava?” “Quando foi a última vez que, de fato, parei e orei ao Pai com todas as minhas forças?”. Talvez a reposta seja: “Não sei... Faz tanto tempo que nem lembro!” A verdade é que em nossa vida cotidiana possuímos tantos afazeres, somos bombardeados com tantas informações, com tantas distrações, que, muitas vezes, no final dia, para não dizer desde o início do dia, não temos cabeça para mais nada: meditar, orar, estudar... Tudo isso parece cansativo demais, então resolvemos fazer o mais fácil: assistir tv, filme, série, entrar nas redes sociais etc.

Foi pensando nessa dificuldade em asserenarmos e entramos em contato com Deus, que buscamos uma mensagem do livro Grandes e Pequenos Problemas de Angel Aguarod. Para quem não conhece o Angel Aguarod, vale a pena pesquisar e conhecer a sua história. Ele é um dos primeiros grandes divulgadores do espiritismo, tendo nascido na Europa no século XIX e se tornado espírita por lá, vindo, posteriormente, a veio morar no continente sul-americano e no Brasil. Bem, a mensagem que separamos do livro Grandes e Pequenos Problemas se chama A vida interior que é o segundo item do último capítulo da obra, o capítulo X, intitulado Últimos problemas. Nessa mensagem, Aguarod, inspirado pelo seu Guia Espiritual, propõe a necessidade de um desenvolvimento da vida interior, a qual, nas suas fases iniciais, necessita de insulamentos parciais, isto é, precisa de um retiro para lugares onde coisa alguma possa perturbar os exercícios de meditação e contemplação. Segundo ele, a vida cotidiana pode ser altamente nociva para esse desenvolvimento, em especial, quando o Espírito ainda não galgou domínio sobre sua natureza inferior. Aguarod diz o seguinte:

Nesses períodos de insulamento completo e de grande recolhimento, quer transcorram no recesso do lar, quer no campo, ou à orla dos mares, é preciso que o homem se entregue a repetidas, sérias e elevadas meditações, para firmar-se mais na fé, até torná-la inquebrantável: fé em Deus, que alimenta a esperança do destino glorioso do Espírito, como recompensa aos grandes méritos conquistados; fé no progresso e redenção de todas as almas; fé na vitória definitiva da Verdade e do Bem; fé nos Diretores espirituais; e também nos outros homens que, animados todos da chispa divina e necessariamente evolvendo no caminho que às alturas espirituais e divinas conduz, hão de chegar a seu tempo, indefectivelmente, a essas alturas. Com a fé e a esperança firmes na alma, a caridade se impõe, manifestando-se o seu ascendente nos atos magnânimos e nos puros pensamentos que exteriorizam os Espíritos meditativos, entregues ao cultivo da vida interior (2010, pp. 343-44).

Mais à frente, Aguarod alerta que sem tal cultivo da vida interior, o Espírito estaciona e até embrutece. Seria preciso então, continua ele, vigiar e saber reconhecer o momento em que o Espírito é convocado para “tomar a sério o desenvolvimento de sua vida interior” (AGUAROD, 2010, p. 345). E ele acrescenta, o início desse processo pode ser difícil, devido as nossas tendências ancestrais, mas que, com o passar do tempo, realizando esse processo com disciplina, o indivíduo transpõe os graus iniciais nos quais ele deve desenvolver-se em insulamento, para passar a praticar suas meditações e seu recolhimento “mesmo em meio do tumulto e dos afazeres habituais”. Somente quando o ser for capaz de realizar isso é que ele terá desenvolvido completamente sua vida interior. Por fim, Aguarod conclui o raciocínio da seguinte forma:

Quando o tumulto das multidões, o ruído das ruas e as impertinências dos homens não consigam distrair a quem se ache entregue à meditação das coisas espirituais, nem, portanto, perturbar-lhes a união com o Divino, a comunhão com o mundo invisível, poder-se-á dizer que o Espírito alcançou na matéria seu completo desenvolvimento (2010, p. 347).

Muito bem. Dada a importância do desenvolvimento da vida interior, dessa espiritualidade baseada na fé de que somos todos Espíritos imortais que irão, necessariamente, se tornar perfeitos, maximamente felizes, herdeiros da criação e trabalhadores diretos do Pai, passamos a refletir sobre o momento presente que muitos de nós estamos vivendo: o isolamento social em razão da pandemia do Corona vírus. Como o próprio nome diz, pensando no bem da sociedade como um todo, recomenda-se como medida sanitária que todos aqueles que têm a possibilidade de isolar-se em seus lares, assim o façam. Frente a isso, podemos nos perguntar: será que podemos dizer que estamos aproveitando o tempo que temos para exercitar esse recolhimento e desenvolver essa vida interior? Mais ainda: não parece que estamos ganhando uma excelente oportunidade de começar com tudo justamente esse processo? Afinal de contas, quando surgirá uma oportunidade como essa futuramente? Quando o ritmo da vida voltar ao seu “normal”, será conseguiremos encontrar tempo ou ocasião para tanto? Então, meus amigos, vamos buscar aproveitar todo o tempo que temos a disposição para efetuar esse processo.

Entretanto, novamente lembramos que o nosso propósito aqui não é culpar quem quer não esteja aproveitado esse tempo para realizar esse processo, mas que nosso propósito é de rememorar o bem que nos faz esses momentos de recolhimento e oração. É fundamental que esse processo de auto encontro, de descobrimento da nossa realidade espiritual e de desenvolvimento dela seja feito de maneira prazerosa, que seja visto como uma oportunidade de viver algo muito especial e não como uma imposição, na qual aquele que não a realiza deve se sentir culpado, se sentir mal... Caso eu não esteja conseguindo dar meus primeiros passos nessa transformação, não é preciso martirizar, até que consiga, pois a verdadeira transformação não provém da culpa, mas do amor. Então, caso eu não esteja tendo essa oportunidade de ter um tempo a mais para mim, pois, se por um lado muitos estão tendo essa chance, outros tantos não estão, seja porque fazem parte das equipes de saúde ou dos serviços essenciais, ou daqueles que se encontram trabalhando remotamente, mas que estão enfrentando uma grande carga de trabalho e, por isso, estão trabalhando até a mais, ou mesmo aqueles que se encontram em isolamento mas não têm consigo empreender esse processo, ou seja qual for a razão, gostaríamos de lembrar a todos estes a importância de ter esse cuidado consigo mesmo, de se permitir realizar esse processo no seu próprio tempo, quando tiver a oportunidade ou o espaço mental para tanto, sem se culpar ou se sentir mal se não puder fazer isso... Afinal de contas, essa também é uma forma de amar... Isso é o autoamor.

Fica então o convite para reservar uma parte do nosso dia, de dez, quinze minutos, se não tanto, que sejam cinco, mas que nesses momentos busquemos estabelecer essa sintonia mais profunda com nosso Pai, com nosso Mestre, nosso Espírito Protetor, com os demais bons Espíritos que nos cercam e com a nossa própria essência espiritual, desenvolvendo nosso Self, nossa vida interior. E, para encerrar, gostaríamos de ler o último parágrafo da mensagem de Santo Agostinho no já citado item 23 do Evangelho Segundo o Espiritismo, servindo essa leitura como uma prece de encerramento à nossa reflexão. Mas antes, queremos agradecer a todos pela atenção e agradecer ao Pai pelas bençãos divinas que recebemos nesses curtos momentos de meditação, rogando para que elas se derramem sobre toda a humanidade. Sendo assim, vamos a leitura:

Avançai, avançai pelas veredas da prece e ouvireis as vozes dos anjos. Que harmonia! Já não são o ruído confuso e os sons estrídulos da Terra; são as liras dos arcanjos; são as vozes brandas e suaves dos serafins, mais delicadas do que as brisas matinais, quando brincam na folhagem dos vossos bosques. Por entre que delícias não caminhareis! A vossa linguagem não poderá exprimir essa ventura, tão rápida entra ela por todos os vossos poros, tão vivo e refrigerante é o manancial em que, orando, se bebe. Dulçurosas vozes, inebriantes perfumes, que a alma ouve e aspira, quando se lança a essas esferas desconhecidas e habitadas pela prece! Sem mescla de desejos carnais, são divinas todas as aspirações. Também vós, orai como o Cristo, levando a sua cruz ao Gólgota, ao Calvário. Carregai a vossa cruz e sentireis as doces emoções que lhe passavam nalma, se bem que vergado ao peso de um madeiro infamante. Ele ia morrer, mas para viver a vida celestial na morada de seu Pai. – Santo Agostinho. (Paris, 1861)
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