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VALORIZAÇÃO DA INTELIGÊNCIA
Nunca será demasiado atentar para a fenomenal atividade da inteligência,
a serviço da vida ou da morte em cada passo da existência humana.
É trabalho da inteligência:
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o uso da eletricidade para o invento da lâmpada;
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o desenvolvimento da neuro-microcirurgia que pode atender a problemas
do feto no íntimo uterino;
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a aplicação da morfina como abençoado anestésico;
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o uso da energia do átomo para tratamento de graves tumorações.
Também é da alçada da vigorosa inteligência humana:
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o uso da eletricidade para a construção da cadeira elétrica;
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o uso da cirurgia para o nefando tráfico de órgãos de crianças
e adultos;
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a aplicação da morfina como droga perigosa;
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o uso da energia do átomo para a construção da bomba destrutiva.
É tão séria a questão do uso e do abuso da inteligência no mundo,
que o Espírito Ferdinando tratou do tema chamando a atenção para a missão
do homem inteligente na Terra (1). Enfocou grandeza da utilização enobrecida
da capacidade intelectiva, a que faz a vida crescer, em contraposição
ao abuso dessa capacidade, que leva a criatura às práticas do orgulho
e da vaidade que tudo encaminham para a perdição.
Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, o Codificador da Doutrina
Espírita, interroga os Nobres Imortais a respeito da inteligência e
deles recebe a informação preciosa de que a inteligência é um atributo
do ser espiritual,podendo ser sua sinonímia(2). Em razão de serem os
atributos espirituais elementos de que nos dotou a Divindade, para que
implementássemos nossa evolução, seria bastante coerente que pudéssemos
dar-lhes a mais eloqüente aplicação. Tristemente isso não ocorre, deixando-se
a criatura humana levar, em grandes magotes, pelas inspirações mais
deletéreas que agem sobre seu livre-arbítrio.
Como é que o ser humano vem utilizando esse atributo? Como vem se
Desenvolvendo no mundo, considerando-se a capacidade que tem de operar
o bem e o mal?
Por que não se dedica o indivíduo utilizar sua inteligência em pol
de si mesmo com sabedoria? Por que não se preserva dos multiplicados
tipos de vícios que só fazem escravizá-lo, a partir da avaliação dos
prejuízos que sofre, e do entendimento de que a eles renunciando faria
muito bem à alma e ao corpo físico, conseqüentemente, estabelecendo
pujante saúde?
Por que se atira o indivíduo aos paues da ira, envenenando-se com
as energias do ódio, que lhe desgasta a saúde neurológica, promovendo
enfermidades que a si mesmo se impõe, quando o exercício da paciência,
da tolerância, em nome da indulgência, tudo resolveria?
Feliz seria a criatura que aprendesse a fazer prevalecer os valores
da sua inteligência em favor de si mesma, de seus progressos graduais,
de sua evolução. Caso se ocupasse com o bom uso de seus recursos intelectivos,
mais rapidamente alcançaria a ventura, as alegrias que a conquista de
si mesmo proporciona, uma vez que se desprende do visco do orgulho,
das teias da vaidade, demandando as vias da verdade que nos confere
a fé inabalável, aquela que não se atemoriza frente aos mais formidáveis
progressos humanos.
Por que a pessoa não utiliza a sua inteligência para alimentar uma
boa relação familiar? Nesse particular, quantas incompreensões, quantos
desentendimentos por nonadas, quanta prepotência irracional? Orgulhos
que efervescem, vaidades que transbordam estabelecendo campo aberto
para malquerenças,mágoas, remorsos, perdição...
Por que não ajuizar quanto à sabedoria das leis de Deus que permite
estagiemos junto àqueles que são importantes para a conquista do nosso
progresso, para o nosso avanço no rumo da paz íntima?
Por que não admitir que o compromisso não devidamente atendido é compromisso
que remanesce para o futuro?
Por que não utilizar de modo inteligente o relacionamento com a família,
a fim de conquistar os que se mostram difíceis de amar, abrindo o próprio
sentimento para não se tomar, por sua vez, a peça dificultosa no seio
doméstico?
Se a criatura humana valorizasse a sua inteligência, desenvolveria
melhor atuação na esfera dos compromissos profissionais, uma vez que
se imporia o dever da honestidade no trabalho sob sua responsabilidade,
do respeito às capacidades diferentes dos companheiros, consideraria
as oportunidades do tempo, não se tomando devedor dessa preciosa bênção
que nos proporciona crescimento esférico, pelas sendas evolutivas.O
bom uso das horas de trabalho far-nos-ia libertados do orgulho de ser
melhor que os outros, da vaidade de querer destacar-se a qualquer preço,
distanciando-se das rotas frustrante,de perdição, geradoras de tanta
desventura.
Por que o indivíduo não utiliza sua própria inteligência, dignamente,
para levar adiante seu desempenho na política do mundo? Por que se deixa
penetrar por egoísmo devastador que lhe corrói pouco a pouco a firmeza
dos ideais, tomando-o escravo dos mais absconsos interesses imediatistas?
Se soubesse da responsabilidade que amarra os administradores da coisa
pública, do erário; se pudesse avaliar os complicadores criados para
o futuro próximo, quando se malbarata a confiança alheia após tê-la
conseguido à custa do sorriso mentiroso, de promessas impossíveis de
cumpridas ou do verbo tão cínico quanto sedutor, com certeza abriria
mão dessa taça de sofrimentos, que deverá ser sorvida pouco a pouco,
e procuraria agasalhar-se nas telas da honestidade, da honradez, da
simplicidade, destacando-se pelo espírito de serviço por meio do qual
representaria os interesses do Criador para a Sua criatura, nos painéis
do mundo.
Se a pessoa pudesse bem utilizar sua capacidade reflexiva para atentar
para todas as conseqüências de sua vida decorrentes,jamais mergulharia
no poço da perdição, posto que não se admitiria envaidecer nem orgulhar-se
com o que, em realidade, não lhe pertence - embora muitos se apropriem
do que é público como se seu fosse -, reconhecendo que, ao invés de
complicar-se, desnecessariamente, pode fazer-se um braço do Grande Autor
em meio às necessidades diretivas do mundo.
Poderia a criatura humana, caso usasse com grandeza a sua inteligência,
atuar com verdade junto aos ensinos de Jesus Cristo, pautando-se pela
reverência à pauta de luz advinda do amor de Deus aos Seus filhos terrenos.
Então, não os distorceria para atender a escusos objetivos.
Como é que no campo da fé religiosa pode ser concebida a ação do orgulho,
que alimenta a idéia de grupo de almas escolhido pelo Senhor, como se
o Senhor não fosse equânime, atendendo aos filhos de conformidade com
suas necessidades, divinamente justo e bom, ou da vaidade de considerar-se
alguém melhor que os outros, como crianças que disputam a preferência
dos genitores? Sem embargo, tais posturas são indicativo da própria
indigência moral humana, da insegurança quanto aos conceitos que expressa,
da incapacidade de pensar com maturidade a respeito dos ensinamentos
do Cristo quando estabelece que os que se exaltam serão rebaixados...
Importante meditar no motivo que levou os Imortais, que ditaram ao
mundo a Proposta Espírita, a ensinar que Deus é a Inteligência suprema
do universo. Uma vez que Dele proviemos marcados pela simplicidade e
pela ignorância, e para Ele estamos retomando, conscientes, lúcidos,
usando nosso livre-arbítrio, por que não pautarmos pela correção o encaminhamento
da nossa inteligência?
Vale refletir sobre a importância da inteligência que cada um de nós
representa e, mais ainda, no bom uso que cada um deve se impor, a fim
de reerguermos o mundo terrestre para os Altos Cimos, retirando-o dessas
trevas densas em que ora está imerso em razão da má usança, da ação
nociva e predadora de avultado número de almas.
Camilo.
( Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em 27.5.2002, na
Sociedade Espírita Renovação, Curitiba-PR. )
1 KARDEC, Allan.O evangelho segundo o espiritismo, cap.VII, item 13.
2 O livro dos espíritos, perg. 24.
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