Artigo do Mês

NOV 08 - Somos todos irmãos| Antônio Moris Cury

“O Cristo foi o iniciador da mais pura, da mais sublime moral, da moral evangélico-cristã, que há de renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos; que há de fazer brotar de todos os corações a caridade e o amor do próximo e estabelecer entre os humanos uma solidariedade comum; de uma moral, enfim, que há de transformar a Terra, tornando-a morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam. É a lei do progresso, a que a Natureza está submetida, que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca de que Deus se utiliza para fazer que a Humanidade avance” (texto encontrável em O Evangelho segundo o Espiritismo, páginas 64 e 65 da 124ª edição, comemorativa de seus 140 anos de lançamento, FEB, 2004 - o livro espírita de maior vendagem).

Esse texto, de apenas oito linhas (no original sem negrito), permite que dele retiremos importantes ensinamentos e conclusões, que podem e devem ser usados em nosso dia-a-dia, ampliando a nossa compreensão do todo e, de modo particularmente especial, aperfeiçoando o nosso relacionamento, com o que passaremos a ser homens e mulheres melhores e, de quebra, muito mais agradáveis.

Com efeito, a moral cristã, toda vez que empregada na prática, implica renovação do mundo, ainda que parcialmente, uma vez que, como já o sabemos pela questão 629 de O Livro dos Espíritos, a obra fundamental da Doutrina Espírita: “Moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O Homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus”, razão por que quem procede bem está agindo com correção de conduta, não está prejudicando a quem quer que seja e, exatamente por isto, está prestando valioso contributo à renovação do mundo. Não é a toa, assim, que a renovação íntima do ser humano, para melhor, é uma das bandeiras do Espiritismo.

Por outra parte, como o afirma o texto acima reproduzido, a moral evangélico-cristã há de aproximar os homens e torná-los irmãos.

Destaque-se desde logo que, do ponto de vista da vida verdadeira, que é a vida permanente, a vida espiritual, de onde proviemos e para onde retornaremos, somos todos irmãos por sermos filhos do mesmo Pai Celestial que nos criou simples e ignorantes e que nos concedeu as mesmas oportunidades, sem distinção de qualquer espécie, sem privilégios, uma vez que todos partimos do mesmo ponto e com idênticas condições.

Ocorre que, neste momento, neste planeta chamado Terra, encontramo-nos em posições diferentes, como as de pai, mãe, irmão, filho, tio, sobrinho, cunhado, sogro, etc., que são necessárias, importantes e tantas vezes absolutamente indispensáveis para a nossa evolução, para o nosso progresso. Seguramente, não estamos nessas posições por acaso e tampouco sem merecê-las e as mudanças que se verificam decorrem do exercício de nosso livre-arbítrio, que nos torna responsáveis pelas decisões que tomamos e também pelas conse-qüências delas advindas.

Ademais disso, como temos insistido em outros artigos, todos estamos na Terra para aprender, muito aprender, a começar pelo aprendizado da fraternidade.

Mas, afinal de contas, o que vem a ser fraternidade? “Fraternidade. Do latim “fraternitate”, substantivo, feminino. 1. Parentesco de irmãos; irmandade. 2. Amor ao próximo; fraternização. 3. União ou convivência como de irmãos; harmonia, paz, concórdia, fraternização” (encontrável em Novo Aurélio, O Dicionário da Língua Portuguesa, página 940, Editora Nova Fronteira, 1999).

Ora, o ensino máximo de Jesus, o Cristo, o ser mais puro que já pisou na Terra, está consubstanciado em célebre sentença que aconselha e recomenda que amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Nos termos do dicionário: que tenhamos união ou convivência como de irmãos.

Numa palavra, que vivamos fraternalmente.

Parece-nos que quem ama ao próximo como a si mesmo estará, exatamente por esta razão, amando a Deus sobre todas as coisas.

No entanto, para amar ao próximo como a si mesmo é absolutamente necessário amar-se. E para amar-se é preciso conhecer-se.

A este propósito, recordemo-nos da questão 919 de O Livro dos Espíritos: Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? Resposta: Um sábio da antiguidade vo-lo disse: “Conhece-te a ti mesmo”. Esta mesma questão, que merece ser lida por inteiro e refletida pausadamente, contém instrução passada por Santo Agostinho, pela via mediúnica, de enorme importância para todos nós, dentre tantas outras, a saber: “O conhecimento de si mesmo é a chave do progresso individual”.

Há um longo caminho pela frente, ainda. Mas, com certeza absoluta, um dia no futuro todos nos amaremos como verdadeiros irmãos, uma vez que o amor é a lei maior da vida. Sendo lei divina ou natural, e por isso mesmo perfeita, haverá de prevalecer.

Entretanto, enquanto este sentimento não for geral, feliz daquele que já ama ao próximo como a si mesmo por enxergá-lo como irmão.

Negritos do autor | Fonte: Jornal "Mundo Espírita"| Maio de 2000 | N.º 1390 | Ano LXVIII | Curitiba | Paraná

 

OUT 08 - Ave, Kardec! | por Antônio Moris Cury

O mês de outubro assinalou o renascimento de Allan Kardec na Terra. Com efeito, em 1804, no dia 03, na cidade de Lyon, França, nasceu uma criança que recebeu o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail.

Estudioso, cientista, cauteloso, sensato, em cerca de catorze anos dedicados ao Espiritismo, legou-nos a Doutrina Espírita, ditada pelos Espíritos Superiores sob o comando do Espírito da Verdade.

Justo, desde logo, salientar o magnífico trabalho de compilação, separação, classificação, ordenação e sobretudo de sistematização elaborado pelo eminente professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que, de conduta reta e de reputação ilibada, não hesitou em lançar mão do pseudônimo Allan Kardec, por ocasião da impressão de O Livro dos Espíritos, obra fundamental da Doutrina Espírita, a fim de não exercer influência sobre os possíveis interessados em sua aquisição e leitura, diante da fama e do reconhecimento devotados pela sociedade francesa às obras que já houvera publicado, especialmente as que versavam sobre educação, muitas das quais adotadas pela Universidade de Paris, preferindo, assim, e se fosse o caso, que o livro despertasse interesse exclusivamente pelo seu conteúdo.

O pseudônimo também foi utilizado porque o professor Rivail, ético a toda evidência, considerou que a obra não era sua, uma vez que tinha sido ditada pelo mundo invisível, tanto assim que foi intitulada "O Livro dos Espíritos", ou seja, deles Espíritos e não dele, Rivail.

Por esses dois dados apenas já se pode claramente compreender porque o célebre astrônomo francês Camille Flammarion o denominou de "o bom senso encarnado".

De 1855 a 1869, o ilustrado professor consagrou sua existência ao Espiritismo.

Sob a assistência dos Espíritos Superiores, coordenados pelo Espírito da Verdade, escreveu a Doutrina Espírita e trouxe aos homens o Consolador Prometido por Jesus, o Cristo, nosso modelo e guia, mestre e amigo de todas as horas.

Decorridos mais de cento e cinqüenta anos, não se pode deixar de reconhecer que os ensinos contidos nas obras da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno e A Gênese), em sua essência, permanecem absolutamente aplicáveis aos dias atuais, o que por si recomenda a leitura, a releitura e de modo especial a reflexão, em torno de tão preciosas obras.

Foi enorme, como se pode constatar, a contribuição pessoal do Professor Rivail, o nosso Allan Kardec. Seus comentários primaram pela clareza e precisão de conceitos, facilitando-nos a leitura e a compreensão.

É com grande alegria, pois, e com enorme gratidão, que prestamos esta singela homenagem a quem na Terra registrou por escrito a Doutrina dos Espíritos, Hipollyte Leon Denizard Rivail - Allan Kardec, beneficiando com seu gigantesco e primoroso trabalho a milhares e milhares de corações em todos os seus quadrantes, e o fazemos no mês que demarca o seu renascimento neste planeta.

Por fim, nestas breves linhas, vale a pena relembrar a frase inscrita em seu túmulo, no Cemitério Père Lachaise em Paris: "nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei", sintetizando, assim, a concepção evolucionista do Espiritismo.

 

SET 08 - Nossa Jovem Casa| por Vera Lúcia Pitta

Pelo 24.º Aniversário da SER

Se as águas de março fecham o verão, as flores do ipê amarelo fecham o inverno e quando o inverno se fecha abre a primavera...

Nesta estação, as flores se abrem para as abelhas colherem o néctar para a feitura do mel, numa lição contínua...

Na fase inaugural da primavera, na força da estação e em seu esplendor, mais uma lição...

Há vinte e quatro anos, nascia a SER.

Flor nascida na primavera, onde se colhe as flores mais caras. Amparo seguro nos espinhos encontrados...

Flor cultivada no vaso do amor. Caridade oferecida... Fraternidade sempre doada.

Flor colhida com as bênçãos de Jesus... Guia magnânimo... Modelo perfeito.

SER, nossa casa, nossa jovem casa, parabéns!

Apesar de tudo isto, em seu aniversário e em todos os dias pouco te damos, pois ainda somos abelhas aprendizes que buscamos em ti o néctar já pronto e não sabemos como transformá-lo em mel para servi-lo no grande banquete sagrado...

 

AGO 08 - Nossa Casa Espírita | por Vera Lúcia Pitta

É uma casa muito amada
Que não precisa ter teto, não precisa ter nada.
Todos podem dormir ali, mesmo sem parede
Ainda que a casa não tenha rede.
Todos podem orar ali,
Porque aconchega a mim e a ti.
Foi preparada com muito esmero,
No nosso mundo, no número zero.

Esta é uma paródia extraída da música(1) que conhecemos desde a infância. Com esta brincadeira, busco mostrar a singeleza material da Casa Espírita.

A Casa não precisa de mobília, nem mesmo de construção. Não precisa de endereço. Então o que é necessário na Casa Espírita?

Precisa ser o abrigo do amor, manifestado este na caridade, posto que caridade é o amor em movimento. É sutil. A Casa Espírita deve abrigar o amor em movimento... E mais, é preciso abrigar o amor em movimento que promove. Daí que suas necessidades transcendem ao necessário material.

Conseguido isto, a Casa Espírita passa a ser um oásis no meio da turbulência diuturna. Um porto seguro tal qual o colo materno. Local de conforto e paz. Passa a ser alimento sagrado do espírito que vai refletir na paz social tanto sonhada por todos nós em nossos dias.

Isto não é utopia. Digo tudo isto, porque é isto é o que encontro na Casa Espírita que freqüento - a SER(2). Ali encontro um porto seguro, colo materno de aconchego e de amor. Abraço amigo nunca negado. Orientação segura no estudo da doutrina espírita. Fé renovada, força e acalento. E sobretudo, a certeza da imortalidade do espírito e que estamos aqui para o nosso crescimento tendo Jesus como nosso modelo e guia.

(1) A casa - Toquinho e Vinicius de Moraes

(2) Sociedade Espírita Renovação