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Ivan de Albuquerque

jul 31, 2011   //   by ddou   //   Biografias  //  No Comments

Ivan Santos de Albuquerque nasceu em Brotas, Estado de São Paulo, no dia 16 de janeiro de 1918, filho de Romeu Vieira de Albuquerque e Laura Santos de Albuquerque.

Duma família de quatro filhos, além de Ivan, contam Cyro Santos de Albuquerque, Sônia de Albuquerque Miller e Laura Santos de Albuquerque Doretto.

Sendo uma família muito feliz e extremamente unida, receberam os filhos os mais notáveis exemplos de grandeza e de amor dos pais dedicados.

O mais velho dos filhos, Ivan mostrou-se um Espírito terno, bondoso, solidário, transmitindo para todos a sua envolvência afetuosa.

Preocupava-se demais com a juventude. Onde ele podia, levava sua palavra, sua mensagem para que a juventude não fumasse, não bebesse, que fosse dócil para com seus pais e digna perante a vida.

Fez seus primeiros estudos em Piracicaba, no Colégio Piracicabano. Mais tarde, em virtude de reveses financeiros da família, foi para o Ginásio Estadual, cursando só até o quarto ano ginasial, agora já em Bebedouro, para onde transladara-se toda a família, numa época em que o curso ginasial se estendia até o quinto ano.

Desde o verdor dos anos, bem menino, apresentava inúmeras habilidades manuais. Tinha pendores para construir brinquedos de vários tipos, com os quais contemplava irmãos e amigos. Confeccionava flores artificiais de farinha de trigo com tinta, como de papel, presenteando sempre a sua mãe, por quem vibrava com grande afinidade.

INICIAÇÃO ESPÍRITA DA FAMÍLIA

Ivan nasceu num lar espírita.

Tanto sua mãe quanto seu pai vieram de um lar católico. Seus bisavós maternos faziam parte da Ordem do Carmo. O bisavô era homem de confessar-se e comungar diariamente.

Tendo D. Laurinha casado muito jovem com o Sr. Romeu, este jamais se opõs a que ela lesse livros espíritas, considerando que desde os seus treze anos tinha idéias espiritualistas bastante acentuadas.

Certo dia, um primo que administrava a fazenda do Sr. Romeu, uma vez que morava na fazenda, perguntou a D. Laurinha o que ela queria que lhe fosse trazido de Brotas e ela respondeu que queria um livro espírita, sugerindo que lhe fosse comprado “O Livro dos Espíritos ” ou ” O Evangelho Segundo o Espiritismo”. A partir daí, entrou decidida no estudo e na vivência do Espiritismo. Os dois primeiros filhos, Ivan e Cyro, ainda foram batizados, mas as duas filhas seguintes, já não o foram.

RENÚNCIA E PROFISSÃO

Quando Ivan e Cyro já se encontravam no quarto ano do curso ginasial, o Sr. Romeu, seu pai, teve que enfrentar seríssimo contratempo econômico, ficando impossibilitado até mesmo de manter no estudo os dois filhos.

Ao serem participados das graves dificuldades surgidas, Ivan tomou a iniciativa de, sendo o mais velho, renunciar aos seus estudos, em favor do irmão. Ivan começou, então, a trabalhar como enfermeiro, no Hospital Esperança, em São Paulo, na Rua dos Ingleses, de propriedade do Dr. Bernardes que era conceituadíssimo médico de Campinas e exerceu a direção desse Hospital durante muitos anos. Ali, Ivan conseguia os recursos necessários para sua subsistência e enviava para o irmão, Cyro, então em Piracicaba, parte dos seus vencimentos, a fim de que ele pudesse concluir seu curso na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz.

No Hospital Esperança, ele exercia a enfermagem com aquela mesma dedicação, servindo aos doentes e, sendo solteiro e não afeito a festas ou teatros e mesmo cinemas, ficava todas as noites no próprio Hospital, visitando os doentes, conversando com eles, assistindo-os.

ALGUMAS DE SUAS AMIZADES

Muitíssimo amigo de Cairbar Schutel, mantinha com ele freqüente correspondência, admirando-o muito por suas qualidades de nobre vulto da divulgação espírita nas terras de Matão. Admitia que, para ele, Ivan, fazia-se importante manter aquele grandioso contato de amizade, como com outras criaturas que ele sabia poderiam enriquecer o seu trabalho, pela experiência, pelos felizes empreendimentos dessas almas pelo Espiritismo.

Além de Cairbar Schutel, foi muito amigo do prof. José Herculano Pires, junto com quem Ivan esteve, proferindo palestras em Marília, poucas horas antes da sua desencarnação.

Pessoas como Dr. Costa Neto (diretor de Departamento de uma das Secretarias de Estado do Estado de São Paulo), Dr. Júlio Prestes, D. Benedita Fernandes (abnegada e veneranda lidadora do Movimento Espírita na região de Araçatuba) e Jésus Gonçalves (notável trabalhador da Seara Espírita, marcado pela hanseníase, que muito atuou junto aos seus irmãos de infortúnio) estiveram banhados pela enternecida e cara amizade de Ivan de Albuquerque.

Era alguém que fazia amigos com muita facilidade, apesar de ser uma pessoa diferente, que não tinha muita conversa em torno das coisas materiais, estando mais voltado para os interesses espirituais, o que não o tornava antipático e fechado. Adaptava-se às necessidades e possibilidades das pessoas que com ele conviviam.

Falava com muita firmeza, com muita propriedade, sobre os assuntos espirituais, mas, também, sentia imensa alegria em estar no meio dos pequeninos, dos sofredores, dos enfermos, dos que necessitavam dele e, com isso, ele fez muitas amizades.

JESUS E ESPIRITISMO

Desde pequeno, Ivan demonstrava ser um Espírito com muitos predicados morais, muito desenvolvido. Através dos anos foi-se sobressaindo cada vez mais. Quando chegou aos dezesseis anos, mostrava um grande amor pelo Espiritismo. Começou a estudá-lo, profundamente, e, nesta idade, detinha conhecimento da luminosa Doutrina. Parecia estar muitos anos à frente, com a bagagem, formidável que levava.

Tudo o que se referia ao Cristo e ao Espiritismo ele sabia na ponta da língua. Eminente doutrinador, desde antes dos vinte anos proferia palestras em todos os lugares, onde era convidado, tendo viajado em pregação por inumeráveis cidades do interior paulista.

DO CONGRESSO EUCARÍSTICO AO JUQUERI

A família acabava de fixar residência em Sorocaba, tendo vindo de Araçatuba, onde morara. Lá ia o ano de 1942. Pouco depois de instalados, tinha lugar em São Paulo, o Congresso Eucarístico. Ivan, tomado pelo entusiasmo e por seu destemor, quando se tratava de falar do Cristo e do Espiritismo, saiu a distribuir, por entre o povo, boletins e volantes de propaganda espiritista. Nessa faina, foi preso sem que ninguém soubesse do seu paradeiro, o que provocou uma onda de ingentes sofrimentos em toda a família. Os pais, particularmente sofreram muito mesmo.

Depois de dois dias tenebrosos, a família logrou localizá-lo. Tinha sido levado para o Juqueri. (Hospital Psiquiátrico do Governo do Estado de São Paulo, situado no município de Franco da Rocha, na Grande São Paulo.)

Essa localização de Ivan efetuou-se graças à interferência de um parente muito caro, o Sr. Luiz Duarte da Costa, que mantinha boas relações de amizade com delegados e outras pessoas influentes que saíram à procura do jovem desaparecido, uma vez que ele já tinha sido procurado em hospitais e em delegacias, sem ser encontrado.

Preso e levado para o Juqueri, não obstante encontrar-se em profundo abatimento físico, muitíssimo esgotado e com a cabeça raspada, durante todo o tempo em que ali esteve, dedicou-se a falar aos enfermos, pregando os ensinamentos de Jesus e do Espiritismo, confortando e ajudando tanto quanto pôde. Nos seus bolsos foram achados, ainda, vários boletins e volantes de divulgação espírita.

Jamais tal episódio o desalentou, nem fê-lo atuar menos ou medrosamente nas atividades do Movimento Espírita, no qual aplicou o melhor dos seus recursos.

COM OS HANSENIANOS

Junto aos irmãos portadores da hanseníase, Ivan era simplesmente maravilhoso. Domingo sim, domingo não, dedicava-se a visitar os doentes. Freqüentava o Sanatório de Pirapitingüi, onde costumava almoçar com os internados, fazendo limpeza nas feridas daqueles pobres orações.

Inúmeras vezes o diretor do Sanatório, amigo da família, Dr. Francisco Arantes, chegava a visitar-lhe o lar e conversar com o pai, dizendo: “Seu Romeu, seu filho não pode fazer o que ele faz. Almoçar com os doentes, beber água do mesmo copo… Afinal de contas, o Sr. tem uma família, tem filhas. Não desejo proibir a entrada dele lá, mas ele não pode continuar fazendo essas coisas.”

Então, Seu Romeu, pessoa muito bondosa, muito querida, homem que, também ele, dedicou grande parte da sua vida ao próximo, pois foi devotadíssimo em conseguir empregos para os seus semelhantes, em Sorocaba, costumava chamar Ivan e dizer-lhe: “- Meu filho, não faça isso. Você não pode fazer o que faz lá, no Sanatório. Lembre-se que você tem uma família, tem irmãs… O Dr. Arantes veio aqui em casa e disse que, logo mais, terá que suspender as suas entradas lá porque você não pode fazer como vem fazendo.”

Invariavelmente, o devotado jovem respondia da mesma maneira: “-Papai, não há perigo nenhum! Nós todos temos as nossas provas. O que tivermos que passar, ninguém passará por nós. E, nesta reencarnação, eu sei que não vou ser atingido por essa doença, nem vou transmiti-la a ninguém de minha casa.”

Continuava, assim, sua vivência no meio dos doentes. Era amado pelos hansenianos. Jésus Gonçalves tinha por ele imensa admiração, no que era retribuído por Ivan, assim como D. Ninita, esposa do Jésus. Para todos era um dia de festa quando o jovem Ivan estava entre eles.

Ivan gostava de participar das festividades do Sanatório, alegrando-se com os internos. Não obstante fosse um Espírito sóbrio e enobrecido, tinha suas brincadeiras engraçadas, pois gostava muito de brincar, particularmente com seus pais e suas irmãs. Manteve-se visitante freqüente do Sanatório de Pirapitingüi até a sua desencarnação.

COM OS DOENTES, OS VELHOS E OS PRESIDIÁRIOS

O jovem Ivan de Albuquerque era pessoa que tinha piedade de todo mundo. Se tinha dois ternos, doava um. O que detinha, gostava de passar às mãos do seu próximo.

A sua bondade era sem tamanho. Preocupava-se muito com os velhinhos. Freqüentava o Asilo dos Velhos e ficava empolgado. Fazia palestras para os idosos, atendia aqueles que portavam doenças, achaques, aqueles que careciam de tratamento espiritual ou de uma oração. Para ele não havia horário, nem obstáculo para levar uma mensagem de esperança a toda essa gente.

Um domingo sim, outro não, em companhia de sua mãe, D. Laurinha, Ivan visitava a cadeia pública de Sorocaba. Os presos gostavam muito de sua visita, pelo seu jeito bom, sua atenção, suas orientações gerais, ocasião em que lhes pedia para que lessem, sempre, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, pois que costumava distribuí-lo com os detentos.

Muito afinado com sua genitora, Ivan conseguia manter com ela os exercícios de telepatia, seguindo sempre muito juntos, muito unidos, entendendo-se, de modo formidável. Assim, os dois envolviam-se notavelmente nessas tarefas, nas quais fortaleciam, mais e mais, a espiritual vinculação.

Ainda relativamente ao seu carinho pelos velhinhos, vale lembrar que, quando saía para o seu serviço profissional, estava sempre atento para ver se algum idoso desejava atravessar a rua, a fim de correr, pegar nos seus braços e atravessar junto.

A família tinha, continuadamente, um ou dois doentes que ficavam meses e meses em sua casa. Ivan os levava.

Durante a época em que existiu a úlcera de Bauru (ferida provocada pelo protosoário do gênero Leishmania, em razão da deficiência sanitária que se tornou muito comum nas regiões de Bauru, quando, pelos anos 40, iniciou-se o avanço territorial, com o desmatamento. A Úlcera de Bauru é a mesma Leishmaniose Tegumentar Americana.), o adorável Ivan, com todo carinho, banhava os doentes, diariamente, tratando das suas feridas, fazendo os curativos, com grande amor. Dava comida na boca dos doentes, penteava-lhes os cabelos e sentia efusiva alegria, dizendo para sua mãe: “- Mas, é tão pouco, mamãe!”

“Filho, você não está cansado?” perguntava-lhe D. Laurinha, percebendo o esforço e o devotamento do seu filho. E ele voltava, afirmando: “- Mãe, é tão pouco o que estou fazendo! Isto não é nada, imagine, mamãe! Sou jovem, tenho bastante energia…” E assim foi todo o tempo em que viveu na Terra, tendo sempre muito gente à sua volta; viandantes, pessoas que nunca foram conhecidas da família, anteriormente. Além de tudo, ele as levava para a Santa Casa, fazia-as passar pelos exames clínicos, radiográficos, providenciando o necessário tratamento, para esses doentes.

Recolhendo em sua casa esses enfermos, juntamente com sua mãe, Ivan os atendia com especial carinho, fossem velhos ou jovens, sem jamais inquietá-los com perguntas quaisquer, chegando muitos a desencarnar em seu lar, demonstrando a beleza da missão de amor ao semelhante para a qual viera ao mundo.

MAIS UMA AÇÃO SOCIAL

Numa época em que exercia suas atividades profissionais em Itaberá, em Itaporanga e em Coronel Macedo (cidades do interior do Estado de São Paulo, ao sul), dadas as dificuldades com que certos lavradores viviam, muito modestos, sem conseguirem garantir sua própria subsistência, Ivan fundou com eles um verdadeiro mutirão, um trabalho coletivo, por meio do qual explorariam a agricultura, dentro de certos modelos. Conseguiu, dessa forma, a colaboração de alguns fazendeiros maiores, com máquinas agrícolas, equipamentos, e o que mais fosse necessário.

Durante os dois anos em que ali, naquela região, esteve, pôde assistir, diretamente, a essa comunidade, que prosperou, evidentemente, graças aos resultados comunitários desse trabalho.

ESPÍRITO DE SERVIÇO E DESPRENDIMENTO

Quando Ivan prestava serviço na profilaxia da malária, no município de Itaporanga, ao sul do Estado de São Paulo, serviço este que era dependência da Secretaria de Saúde naquela região que, evidentemente, contava com a moléstia, em caráter epidêmico, deu-se um episódio muito curioso e bonito, atestando o seu abnegado espírito de serviço e o despojamento com relação a si mesmo.

Certo dia, durante suas atividades, Ivan soube que havia, do outro lado de um rio, possivelmente o denominado Rio Verde, uma senhora que estava sem assistência e em vias de dar à luz uma criança.

Alguns caboclos o procuraram apreensivos, no sentido de que ele, que tinha certa prática de enfermagem, pudesse atendê-la. Imediatamente, graças ao seu espírito solidário, altamente solidário, prontificou-se a ir. No entanto, como no momento as embarcações que ali costumeiramente estavam a postos navegavam rio abaixo, não havia outra forma de atender à mulher senão atravessando a nado esse rio. Incontinenti, o fez. Sendo ele um bom nadador, pois que, desde a sua infância, acostumara-se às águas do Rio Piracicaba, onde aprendeu a natação e a exercia freqüentemente, não lhe foi difícil o empreendimento.

Atravessou o rio, foi ao local e fez o parto, tendo solicitado o material indispensável naquela conjuntura, como uma bacia com água quente, panos e trapos, etc. Estava feliz por ter sido útil.

Na semana seguinte, ele foi acometido por uma gripe fortíssima com ameaça de pneumonia. Foi preciso recorrer, naquele tempo, quando não existia a penicilina, a produtos químicos para que se pudesse impedir o desenvolvimento da gripe a e a infecção pulmonar.

VALOR E SIMPLICIDADE

Enquanto trabalhava no Hospital Esperança, cuidando com muita atenção dos mais variados internos, nas suas horas além das obrigatórias, Ivan teve ensejo de travar contato com o Dr. Júlio Prestes de Albuquerque que se achava em tratamento. O Dr. Júlio Prestes, como era conhecido, foi presidente do Estado de São Paulo, eleito presidente da República e não empossado; foi acometido de uma infecção renal grave e ali fora para submeter-se a uma cirurgia. E Ivan, como fazia, sistematicamente, com todos os doentes, passou a assisti-lo também. Fê-lo de tal modo que numa certa noite, quando o Dr. Prestes já estava quase por deixar o Hospital, indagou ao jovem enfermeiro: “- Ivan,, você é Albuquerque?” “Sim!”, respondeu Ivan. E, prosseguiu Dr. Prestes: “- Quem sabe não sejamos parentes, porque também eu sou Albuquerque, sou Julio Prestes de Albuquerque?” Então, respondeu-lhe Ivan: “- Olhe, Dr. Júlio, eu me sentiria muito honrado se fosse seu parente, mas acho que não o sou porque o meu Albuquerque é de Brotas e o seu é daquela região de Itapetininga. Para mim seria muito gratificante.” Nisto, retoma a palavra o velho político: “- Ivan, se você, alguns anos atrás, tivesse a pretensão de ser meu parente, naquela ocasião em que eu militava na política e me sentia como uma árvore frondosa, onde os viajantes paravam para ter a sua sombra, onde os pássaros faziam seu ninhos e onde os viandantes comiam os seus frutos, poderia até fazer de você um juízo indevido, de uma pessoa político-interesseira, porque eu vivia cercado de políticos interesseiros… Mas, hoje, quando eu já me encontro no ocaso da vida, sentindo-me agora uma árvore seca, onde os pássaros não fazem os seus ninhos, onde os viandantes não têm nem frutos, nem sombras, eu é que ficaria muito envaidecido e muito honrado se fosse seu parente. No conceito dos homens, Ivan, você é realmente uma criatura de profundo espírito cristão; alguém desprendido de vaidades e de ambições, uma pessoa que tem-se conduzido por um afeto, por uma amizade, por um calor humano que jamais conheci, durante toda a minha existência…”

CURIOSO CASO DE PREMONIÇÃO

Nas conversas domésticas, todas as vezes em que o velho Romeu abordava Ivan, em torno da importância da formação de uma família, tendo-se em conta que o jovem filho era de compleição física saudável, dono de suave harmonia de formas, com uma voz muito bonita e invejada, sendo muito querido das jovens que o assediavam, à época, naturalmente aguardando alguma chance, Ivan lhe respondia dizendo: “- Nesta encarnação, não vim para constituir família porque vou partir muito cedo.” Dizia-o com tal tranqüila certeza que sua mãe, tocada pela alusão, lhe contestava: “- Meu filho, não repita isto, porque não sei se terei estrutura, embora o meu conhecimento da Doutrina, para perder um filho…”

A alma notável do jovem pregador, no entanto, “sabia”, do fundo d´alma, com aquela certeza subjetiva dos Espíritos lúcidos, que não chegaria aos trinta anos de idade, conforme o apregoou diversas vezes.

A família tinha em casa uma cabra chamada Esmeralda. Era tratada com imenso carinho e cuidados por Ivan. Diariamente, em torno das seis horas da manhã, Ivan costumava levar um copo de leite da cabra para os seus pais e para cada uma das irmãs.

Certo dia, numa época em que Ivan estava viajando, um dos seus amigos mais chegados, Waldemar Telles, muito nervoso, muito preocupado, dirigiu-se ao Sr. Romeu e disse-lhe:

“- Seu Romeu, eu tenho uma notícia horrível para lhe dar.”

“- O que foi, Waldemar, diga? O que foi que aconteceu?”, – atalhou o pai.

“- O Ivan morreu!” – respondeu Waldemar.

“-Como!? Não é possível uma coisa dessa…”

Waldemar se recompôs e disse, envolto num sorriso muito pálido: “- Estou brincando, foi a Esmeralda que morreu; a cabra…”

Passados três dias, o trem pegou, de fato, a cabra Esmeralda e ela veio a falecer.

Nesse ínterim, retorna Ivan de sua viagem e ficou muito triste com a notícia da morte de Esmeralda…e, passado algum tempo, ele veio a perecer, como Esmeralda, num desastre de trem…

DESENCARNAÇÃO E RESGATE

Toda a vida de Ivan de Albuquerque foi dedicada a uma causa: à Causa do Espiritismo, à pregação, à solidariedade humana. A vida tem desígnios que quase nunca conseguimos alcançar. Ninguém poderia esperar que uma criatura sempre preocupada com os destinos e a vida não só de seus familiares, mas de todos aqueles que o cercavam, tivesse em sua programação de saída da Terra, uma desencarnação tão trágica como teve o nosso personagem.

Começava o mês de abril de 1946, em plena quadra outonal, quando o amorável Ivan, que a esse tempo vivia com seus pais, em Sorocaba, viajou para Marília, também interior paulista, a fim de proferir palestras, atendendo aos seus labores de pregador.

Atendidas as tarefas de Marília, desenvolvidas com a mesma inspiração de sempre, com a mesma simpatia e com a contínua objetividade e clareza de argumentação, um amigo seu, residente em Tupã, instou para que ele fosse repetir a mesma palestra, realizada em Marília, na sua cidade.

Embora ele tivesse compromissos em Sorocaba, não resistiu aos insistentes apelos do seu amigo e partiu para Tupã, numa composição ferroviária. Não poderia supor o nosso jovem sanitarista que havia soado o momento da libertação, ultrapassada a porta estreita dos deveres nobremente executados, numa juventude formosa e radiosa, vivida com entusiasmo e extrema consciência da responsabilidade.

Quando estavam chegando nas proximidades de Pompéia, cidade intermediária entre Marília e Tupã, conversando com o companheiro que o convidara e o acompanhava, disse-lhe Ivan: – “Veja só, nasci numa fazenda de café e nunca tive a oportunidade de observar um cafezal tão bonito, tão vistoso, como este que estamos observando pela janela do trem. Gostaria de observar mais de perto este lindo cafezal… E dirigiu-se à porta do último vagão da composição férrea, no exato momento em que tal composição completava uma curva e entrava numa reta para chegar à estação ferroviária de Pompéia, cinco ou seis quilômetros depois. Desse modo, com um movimento de flexão desse último vagão, Ivan, já à sua porta, perdeu o equilíbrio do corpo e caiu, caiu batendo, ao que se supõe, no barranco da margem, tombando, em seguida, sem sentidos, sobre os trilhos…

Em Pompéia, na estação, estava parada uma outra composição que deveria dirigir-se a São Paulo. Tão logo chegou a composição donde Ivan caíra, a outra partiu, em razão do necessário desvio de linhas que se dera, liberando a passagem ao comboio de ferro.

O depoimento do maquinista, quanto o do foguista, na delegacia de Pompéia, dava conta de que não houve tempo para frear a composição, tendo, então, passado por cima do corpo.

Desprendido do corpo, em razão do desmaio que sofrera, foi retirado dali, pelos Emissários da Luz, seus Amigos e inspiradores, a fim de que não se aturdisse com as cenas, naturalmente fortes, que se desenrolariam com o passar do trem sobre o fardo imobilizado, do qual se despedia o impoluto servidor de Jesus.

Era o dia 5 de abril… Cumpria-se a precognição do próprio Ivan, bem como a do seu amigo Waldemar Telles.

Os espíritas de Pompéia, de Marília e de Tupã, reuniram-se em Pompéia, tão logo ficaram sabendo do acontecimento, e prestaram todas as homenagens póstumas ao querido confrade, ali desencarnado, em pleno cumprimento do dever, disseminando as luzes do Consolador.

PRIMEIRAS NOTÍCIAS PÓSTUMAS

Foi por intermédio da Sra. Laurinha de Albuquerque, mãe de Ivan, que era médium escrevente, que, aproximadamente trinta dias após o acontecimento, adveio uma comunicação do filho sempre amado. Evidentemente, num estado de certa angústia, em face da separação, pelas condições do desprendimento, mas explicando e esclarecendo as circunstâncias todas que motivaram a desencarnação, o que logrou, não obstante os compreensíveis sofrimentos dos afetos e dos amigos, confortar a todos, acenando com as esperanças de abençoado reencontro, nos campos da perene Luz.

Do pretérito comprometido com as Leis Divinas, Ivan consegue libertar-se, por meio do denodado trabalho em favor do progresso e do bem, com excelente disposição.

Com seu trabalho incansável e com sua disposição de servir e crescer para o Cristo, deixa-nos, o notável Apóstolo do Bem, incontáveis e fulgurantes exemplos com os quais a Juventude destes dias e a porvindoura encontrarão roteiro e apoio para a real conquista da paz, multiplicando as ações do Mestre Nazareno pelo mundo, sem temores, sem entrega aos torpores das paixões infelizes, avançando sempre para o Grande Amanhã.

Seus irmãos,

Cyro Santos de Albuquerque
Sônia de Albuquerque Miller
Laura Santos de Albuquerque Doretto

(Cântico da juventude, J. Raul Teixeira, ed. FRÁTER)

Renovação

jul 31, 2011   //   by ddou   //   Mensagens  //  No Comments

Engajados nos iluminativos serviços da Seara de Jesus, faz-se imprescindível que o trabalhador modesto da Oficina de Luz empenhe-se, com todos os esforços, para:

  • ser amigo, abrindo mão da animosidade desgastante;
  • ser verdadeiro, deixando de lado a aparência enganadora;
  • ser moderado em todas as coisas, rompendo com o estouvamento nefasto;
  • ser autêntico junto àquilo em que crê, evitando contatos com a hipocrisia;
  • ser altruísta, despegando-se da tormenta egoística;
  • ser trabalhador eficiente, sem atrelar-se à pachorra ou à preguiça que degenera a alma;
  • ser manso, desenlaçando-se dos vínculos com a violência; ser prudente, sabendo isolar-se das armadilhas da imperícia;
  • ser homem de fé, cumprindo com os compromissos na esfera do bem renovador, em todo lugar; ser disposto ao estudo sério, desligando-se da praça da ignorância que imita e oprime;
  • ser bom, sem pieguismo, desfazendo as nódoas do mal enquistante;
  • ser afetuoso, sem jungir-se à inconveniência;
  • ser caridoso, cooperando lucidamente com o crescimento dos irmãos do caminho evolutivo; ser o cristão verdadeiro, mantendo-se fiel aos ensinos do Mestre, exemplificando com a própria vida o conteúdo que transmite através da palavra.

Somente desse modo, construindo sobre os escombros do homem-velho enfermo, a edificação do homem realmente cristianizado, deparar-nos-emos com a realização dos propósitos divinos que são, em última analise, a condução da criatura humana para os Altos da renovação espiritual.

Ivan de AIbuquerque

(Mensagem psicografadas pelo médium J. Raul Teixeira, em 30.09.1984, na SER-Sociedade Espírita Renovação – Curitiba/Pr)