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As provas da miséria e da riqueza

ago 8, 2011   //   by AMCury   //   Artigos  //  No Comments

A Terra é um planeta de provas e de expiações e, por isso, de categoria inferior no Universo, superando apenas os mundos primitivos, razão pela qual é impossível nela encontrar-se a perfeição, conquanto nos caiba a todos buscar com determinação e disciplina o auto-aperfeiçoamento, intelectual e moral.

Quando nos encontramos na erraticidade, em fase de estudos e de trabalho em variados campos, na condição de Espíritos propriamente ditos, fora do corpo físico portanto, participamos, muitas vezes, do planejamento de nossa próxima reencarnação, escolhendo as provas pelas quais desejamos passar na existência seguinte, dentre as quais se encontram as da miséria e da riqueza.

A análise superficial dessa questão pode levar-nos à conclusão de que, se assim é, ninguém, nenhuma criatura, escolherá a prova da miséria.

Ledo engano, ledo equívoco.

Com efeito, desvestido do corpo físico, o ser humano, quando mais evoluído, tem outro grau de percepção, não ficando adstrito exclusivamente aos cinco sentidos que conhecemos (visão, audição, tato, olfato e paladar), vislumbrando com considerável facilidade o que é melhor e mais conveniente fazer para alcançar níveis de progresso e evolução cada vez maiores.

Às vezes, chega até a exagerar na escolha de provas de difícil consecução a um só tempo, em uma só existência, a tal ponto que, não raro, os Espíritos, que participam do planejamento e que avalizam a reencarnação, aconselham a redução das provações, a fim de que não haja sucumbimento, sobretudo precocemente.

Assim, bem ao contrário do que à primeira vista possa parecer, a tendência prevalecente é a da escolha das piores provas, das mais árduas e difíceis, com o objetivo de a elas forrar-se o mais breve e completamente possível, daí a intervenção dos Espíritos Superiores no planejamento, eliminando o exagero e o excesso eventualmente existentes, com opção pelo equilíbrio e pelo bom senso sempre e, com isso, tornando factível a reencarnação, de molde a torná-la proveitosa, quanto possível.

Ambas as provas, da miséria e da riqueza, são deveras fortes, como não é difícil inferir.

A miséria pode provocar a queixa, a revolta e a imprecação contra a Providência Divina, quando, em verdade, se suportada devidamente, pode servir para o crescimento e a evolução morais da criatura, que naquelas circunstâncias não se encontra por acaso, uma vez que muitas vezes pediu essa difícil prova.

A miséria ou a pobreza extrema pode, por outro lado, servir também de excelente alavanca de progresso individual, na medida em que o indivíduo consiga não ter reclamações ou, se as tiver, consiga sobre elas impor silêncio, optando pela resignação e pela humildade, tendo a certeza de poder confiar em Deus, que sabe muitíssimo bem o que está fazendo, escrevendo certo por linhas certas.

Tal comportamento, com certeza, não exclui a necessidade de lutar por melhorar sempre, em todos os sentidos, porquanto a aceitação pura e simples da situação, sem qualquer esforço, sem qualquer luta, equivale a inaceitável acomodação, que tantas vezes se confunde com preguiça.

Neste passo, é importante relembrar que todas as criaturas humanas, sem exceção, independentemente de condições financeiras, sociais, culturais, étnicas, etc., estão sujeitas às lutas, às dificuldades, aos tropeços, aos equívocos, muito próprios dos seres que estão matriculados nesta escola chamada Terra, onde não há perfeição e em que prevalece o mal, ainda.

De outra parte, também ao contrário do que possa aparentar, a prova da riqueza é de extrema dificuldade, pois que pode incitar a todos os excessos.

Estando o rico sujeito a maiores tentações, pode tornar-se, exatamente por isso, egoísta, orgulhoso e insaciável, sendo que, com a riqueza, suas necessidades aumentam e ele nunca julga possuir o bastante para si unicamente (o texto integral sobre as provas de riqueza e de miséria está contido nas questões 814 a 816 de O Livro dos Espíritos, a obra fundamental do Espiritismo).

O egoísmo e o orgulho, como se sabe, continuam a ser as duas maiores chagas da Humanidade e a ambição desmedida, de todo insaciável, de seu lado, é altamente maléfica porque a nada conduz, verdadeiramente, a não ser ao desrespeito pelo semelhante, em todos os níveis, já que para prevalecer e atingir seu objetivo o ser humano dela contagiado não se importa em prejudicar quem quer que seja.

O dinheiro, que por si só, em última análise, pode representar a riqueza, é neutro, absolutamente neutro.

Assim, se for mal empregado será péssimo. Se for bem aplicado será ótimo, poderá ser muito útil e ajudar um sem-número de pessoas, e não apenas quem o detém.

De maneira que o rico, que bem empregue os bens que lhe foram confiados, poderá tornar-se um excelente administrador, oferecendo oportunidades de emprego, de trabalho, de estudo, de progresso aos outros, com o que estará se saindo airosamente desta igualmente difícil provação e demonstrando, direta ou indiretamente, que tem exata noção do que representa esse adiantamento que lhe foi feito, uma vez que os bens da Terra na Terra ficarão, revelando saber que nada é levado para o outro lado da vida, a não ser o conhecimento obtido e as virtudes conquistadas.

Que tenhamos bom ânimo e coragem para vencer as provas que nos cabem, seja na miséria, seja na riqueza.

(Jornal Mundo Espírita de Setembro de 1999)

Valorizemos o nosso dia

ago 8, 2011   //   by AMCury   //   Artigos  //  No Comments

É excelente o livro denominado “Para uso diário”, ditado pelo Espírito Joanes através do médium escrevente J. Raul Teixeira, publicado pela Editora Fráter – Livros Espíritas.

Todos os seus trinta capítulos merecem ser lidos, estudados e refletidos, frase por frase, palavra por palavra, uma vez que versam sobre importantes questões de nosso dia-a-dia, em linguagem simples, acessível e direta, fazendo jus ao título escolhido.

O capítulo dois da referida obra denomina-se “Valorize o seu dia”, e nele, em seu primeiro parágrafo, está dito que: “Cada dia corresponde a uma nova página escrita no livro da sua vida, onde você deverá escrever as melhores memórias” (encontrável na página 25 da primeira edição, 1999).

Com efeito, de fato, cada novo dia que se inicia é verdadeira página em branco no livro de nossa vida, já que nela poderemos escrever ações positivas, de variada ordem, de conformidade com a vontade, com a determinação e com a disciplina que conseguirmos empreender.

As 24 horas de cada dia, segundo a contagem humana do tempo, são iguais para todos; a diferença está no que cada um faça com elas. Se conseguirmos dedicar, por exemplo, uma única hora por dia para leitura e estudo, o que é pouco quando comparado com o tempo que usamos para assistir a telejornais ou a telenovelas, estaremos dando um bom passo no caminho do progresso intelectual, que engendra o progresso moral, com resultados altamente positivos ao cabo de pouco tempo. A informação é importante, o conhecimento é cumulativo e o cérebro trabalha mais e melhor quando municiado por novas idéias, novos argumentos, que decorrem naturalmente de toda leitura edificante.

Claro é que, nessas mesmas 24 horas, poderemos praticar inúmeras outras ações que as valorizarão sobremaneira, a começar pela mudança gradual de nossa postura, tornando-nos pessoas mais simpáticas, mais sorridentes, mais agradáveis, na medida em que sejamos mais tolerantes, mais pacientes, mais compreensivos, mais otimistas, mais confiantes, mais alegres, trazendo enormes benefícios a nós mesmos e também às pessoas que convivem conosco ou até mesmo àquelas que apenas cruzam os nossos caminhos.

Tal mudança comportamental não será difícil se soubermos, com convicção, de onde viemos, o que estamos fazendo aqui na Terra e para onde iremos, informações que se podem aliar às lições evangélicas de que colhemos o que plantamos e que a cada um será dado de conformidade com as suas obras, razão pela qual o Espírito Joanes, pela psicografia de J. Raul Teixeira, enfatiza e esclarece que: “… você não está senão no mundo que fez por merecer, com as situações que caracterizam a sua quadra evolutiva e com as pessoas do seu mesmo patamar moral, com ligeiras diferenças, facilmente observáveis” (obra citada, página 25).

Um pouco mais adiante e ainda na mesma página, o Benfeitor Espiritual recomenda: “Busque fazer novos amigos, mantendo, com carinho, os velhos companheiros. A amizade no mundo é como o beijo solar iluminando as flores, sem o qual elas tendem a murchar e fenecer”.

Nada mais acertado. Até mesmo a sabedoria popular, que é fruto de longa observação dos fatos, conclui que “quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro”.

Por isso, novas amizades devem ser buscadas, sem esquecimento dos velhos companheiros, que devem ser mantidos, carinhosamente. Cremos firmemente que a regra de ouro para fazer e manter amigos esteja baseada no respeito, respeito em todos os sentidos, respeito sempre.

Por fim, nestas ligeiras considerações sobre o texto antes referido, cumpre registrar o aconselhamento do autor espiritual: “E quando chegar ao fim o seu dia, vivido com maior ou menor dificuldade, ponha-se em meditação. Verifique onde é que você poderia ter sido melhor, em que itens deveria ter agido melhor, e, sem remorsos perniciosos, faça projetos de renovação para o dia seguinte, procurando levá-los seriamente” (página 26).

Santo Agostinho agia assim. Todos os dias, sistematicamente, antes de dormir, costumava fazer verdadeiro balanço de seu dia, com profunda reflexão, procurando enxergar onde errou, onde poderia ter sido melhor, onde acertou, etc.

E, naturalmente, todos nós estamos em condições de realizar tal levantamento, diariamente.

As dificuldades, as tribulações do dia-a-dia, são comuns a todos nós, que vivemos na Terra, um planeta de categoria inferior no Universo, de provas e de expiações, em que prevalecem o mal e a imperfeição, ainda.

Logo, a meditação é de fundamental importância para o nosso aperfeiçoamento, que deve ser buscado permanentemente, ainda que a pouco e pouco, a fim de que possamos crescer, intelectual e moralmente, renovando a nossa intimidade, para melhor, tornando-nos pessoas de bem e, exatamente por isso, mais felizes, desde agora.

(Jornal Mundo Espírita de Outubro de 2001)

Observações sobre a dor física

ago 8, 2011   //   by AMCury   //   Artigos  //  No Comments

“Por mais admirável que possa parecer à primeira vista, a dor é apenas um meio de que usa o Poder Infinito para nos chamar a si e, ao mesmo tempo, tornar-nos mais rapidamente acessíveis à felicidade espiritual, única duradoura.

É, pois, realmente, pelo amor que nos tem, que Deus envia o sofrimento. Fere-nos, corrige-nos como a mãe corrige o filho para educá-lo e melhorá-lo; trabalha incessantemente para tornar dóceis, para purificar e embelezar nossas almas, porque elas não podem ser verdadeiras, completamente felizes, senão na medida correspondente às suas perfeições.

Para isso pôs Deus, nesta terra de aprendizagem, ao lado das alegrias raras e fugitivas, dores freqüentes e prolongadas, para nos fazer sentir que o nosso mundo é um lugar de passagem e não o ponto de chegada. Gozos e sofrimentos, prazeres e dores, tudo isto Deus distribuiu na existência como um grande artista que, na tela, combina a sombra e a luz para produzir uma obra-prima”.

(Texto encontrável no livro “O problema do ser, do destino e da dor”, de autoria de Léon Denis, 15ª edição, FEB, 1989, páginas 380 e 381.)

É impressionante o que a dor física, sobretudo quando aguda e constante, provoca em termos de reflexão.

Com efeito, em primeiro lugar, mostra-nos com muita clareza que a matéria é precária e fragilíssima, de maneira que o nosso corpo físico, que é o veículo de que nos valemos para transitar pelo planeta Terra, de repente, num átimo, fica travado, dependente de quase tudo e, às vezes, de tudo, à mercê da compreensão, da benevolência e da boa vontade dos familiares e dos amigos.

Em segundo lugar, mostra-nos que devemos valorizar, e muito, todos os instantes em que desfrutamos de saúde física plena, que nos permite a livre movimentação, o trabalho, o estudo, a própria reflexão, etc., uma vez que, em geral, não nos damos conta de que os ombros, os joelhos, as mãos, por exemplo, participam de todos ou de quase todos os nossos movimentos, de sorte que se essas estruturas estão bastante enfermas ou simplesmente não estão bem, mesmo que isoladamente, o nosso corpo físico passa a estar comprometido para os mínimos movimentos, para as mínimas coisas, por mais elementares que sejam. E isto para não citar, propositadamente, o que representam para a nossa existência física o coração, a visão, a respiração…

Em terceiro lugar, a dor física quando chega altera a nossa escala de valores, fazendo com que aquilo que muitíssimo valorizávamos há um minuto atrás, passe a não ter valor ou, pelo menos, a não ter o valor que lhe atribuíamos. Por outro lado, em geral, passamos a dar enorme valor à saúde física, ao mesmo tempo que nos recriminamos por não termos enxergado algo tão evidente, evidentíssimo.

Em quarto lugar, de um modo geral, a chegada da dor física torna-nos mais humildes, na medida em que percebemos a ampla fragilidade de nosso corpo físico, assim como que estamos aqui de passagem, já que a Terra é verdadeiramente um educandário, um hospital, de modo que nela não estamos em férias. Ao contrário, aqui nos encontramos para aprender, muito aprender, inclusive com a dor ou pela dor.

Por último e por outro ângulo, nessas brevíssimas observações, temos que convir que a dor física é também uma bênção, embora não pareça, exatamente por ser o aguilhão que nos recoloca no caminho da evolução, revelando-nos a importância da busca constante do auto-aperfeiçoamento e, por igual, servindo-nos de alavanca para o progresso, em suas múltiplas expressões, que deve ser permanente, de molde a nos conduzir à perfeição relativa e à suprema felicidade, destino final dos seres humanos e, portanto, nosso verdadeiro ponto de chegada.

(Jornal Mundo Espírita de Agosto de 1998)

O arrependimento basta?

ago 8, 2011   //   by AMCury   //   Artigos  //  No Comments

“O homem sofre sempre a conseqüência de suas faltas; não há uma só infração à lei de Deus que fique sem a correspondente punição”.

“Desde que o culpado clame por misericórdia, Deus o ouve e lhe concede a esperança. Mas, não basta o simples pesar do mal causado; é necessária a reparação, pelo que o culpado se vê submetido a novas provas em que pode, sempre por sua livre vontade, praticar o bem, reparando o mal que haja feito”.

“O homem é, assim, constantemente, o árbitro de sua própria sorte; pertence-lhe abreviar ou prolongar indefinidamente o seu suplício; a sua felicidade ou a sua desgraça dependem da vontade que tenha de praticar o bem”.

(Trechos extraídos do livro “O Evangelho segundo o Espiritismo”, capítulo XXVII, página 380, 109ª edição, FEB, 1994.)

São deveras importantes as informações que podemos retirar do texto aqui reproduzido.

Com efeito, “o homem sofre sempre a conseqüência de suas faltas”, ou seja, é o único responsável pelas decisões que tome e, naturalmente, pelas conseqüências delas decorrentes. Assim, se praticou o Bem, sente-se bem e contabiliza o mérito a seu favor; se errou, se falhou, se prejudicou adredemente, propositadamente, a outrem, sente-se mal e contabiliza a falta, que lhe acarreta sofrimentos físicos ou morais, ou ambos, cuja falta, para ser posteriormente eliminada de sua contabilidade pessoal, depende, obrigatoriamente, de reparação.

De outra parte, “Não há uma só infração à lei de Deus que fique sem a correspondente punição”, isto é, não é possível ao homem enganar e deixar de cumprir a legislação divina, que é perfeita e, por isso mesmo, imutável.

A melhor exegese, a melhor interpretação, indica que a palavra punição aqui deve ser entendida como reparação, vale dizer, qualquer infração à lei de Deus será reparada, pelo infrator, pessoalmente, em caráter obrigatório.

Cremos tratar-se de interpretação absolutamente compatível com a bondade e com a justiça de Deus, que não castiga, não pune e nem premia seus filhos, que somos todos nós, mas, sim, que nos oferece todas as oportunidades de que necessitemos para reparar, nesta ou em outras existências, nossos erros, males e equívocos, no rumo do progresso, da perfeição relativa e da suprema felicidade.

Outrossim, convém não perder de vista que “não basta o simples pesar do mal causado; é necessária a reparação, pelo que o culpado se vê submetido a novas provas em que pode, sempre por sua livre vontade, praticar o bem, reparando o mal que haja feito”.

É a exata medida da Justiça Divina, demonstrando que não basta lamentar, manifestar pesar pelo mal cometido, nem mesmo se arrepender. É absolutamente indispensável reparar o mal causado. É claro que o arrependimento, o pesar e a lamentação constituem um bom começo, mas, por si, não bastam, não são suficientes para eliminar o mal acarretado, apagando-o. O mal deve ser reparado, sempre. E, para isso, quem o praticou ver-se-á submetido a novas provas em que poderá, pelo seu livre-arbítrio, praticar o Bem, reparando o mal que haja feito.

O infrator poderá compensar o mal que praticou de variadas formas. Poderá tornar-se, por exemplo, humilde, se tem sido orgulhoso; caridoso, se tem sido egoísta; útil, se tem sido inútil; amável, se tem sido áspero; trabalhador, se tem sido ocioso, preguiçoso, etc.

Pelo exposto, não é difícil concluir que o homem é, verdadeiramente, “o árbitro de sua própria sorte, pertencendo-lhe abreviar ou prolongar indefinidamente o seu suplício”, assim como entender que “a sua felicidade ou a sua desgraça dependem da vontade que tenha de praticar o bem”.

A reparação do mal causado é indispensável, obrigatória e personalíssima, não podendo, exatamente por isso, ser transferida a ninguém, e a melhor maneira de exercê-la é praticar o Bem, preferentemente sem olhar a quem!

A reparação do mal causado é indispensável, obrigatória e personalíssima

(Jornal Mundo Espírita de Janeiro de 1998)

O que nos pertence?

ago 8, 2011   //   by AMCury   //   Artigos  //  No Comments

Não é de hoje que se observa a luta titânica do ser humano para reunir bens e valores, móveis, imóveis, semoventes, jóias, dinheiro, obras de arte etc., com a finalidade de garantir-se e, particularmente, com o objetivo de garantir o seu futuro.

Importante frisar, desde logo, que a busca do bem-estar é absolutamente legítima, se legítimos e morais forem os meios empregados na sua obtenção.

Convém não perder de vista, entretanto, que não é preciso muito para ter-se uma vida boa e digna.

Com efeito, engana-se quem imagina ser proprietário, verdadeiramente, dos bens materiais que tenha amealhado.

Trata-se de um mordomo, de um administrador desses bens, cabendo-lhe a tarefa de sua preservação, que será obrigatoriamente temporária, uma vez que, por ocasião de sua morte física, de sua desencarnação, tais bens serão transferidos a seus herdeiros ou sucessores.

Seus herdeiros ou sucessores, por sua vez, recebendo os bens materiais deixados, passam a ser, também, seus mordomos, seus administradores, igualmente em caráter transitório, eis que, por ocasião da morte de seus corpos físicos, verificar-se-á o mesmo procedimento, isto é, os bens materiais serão transferidos, por igual, aos seus herdeiros ou sucessores, que, de sua parte, passam a ser os seus administradores,, os seus mordomos, e assim sucessivamente.

Em outras palavras, em verdade, apenas estamos tomando conta dos bens materiais integrantes de nosso patrimônio.

Fica muito fácil entender, portanto, que os bens da Terra na Terra ficarão. Ninguém os levará como parte de sua bagagem para o outro lado da vida, a verdadeira vida, a vida espiritual, de onde todos proviemos e para onde todos voltaremos.

O ser humano, uma vez criado, passa a ser imortal, jornadeando pela Eternidade, vivenciando em uma só vida diversas existências físicas, como a presente, aprendendo, crescendo, progredindo, corrigindo-se e aperfeiçoando-se, na busca permanente da perfeição relativa e da felicidade suprema, seu destino final, que será alcançado em mais ou menos tempo, dependendo do esforço, do empenho, da disciplina que empregue.

Logo, é de se perguntar: o que, então, verdadeiramente, nos pertence?

Pertencem-nos tão-somente o conhecimento adquirido e as virtudes conquistadas.

O conhecimento obtido, das ciências, das artes, seja do que for, permanecerá conosco para sempre e nos proporcionará, cada vez mais, incontáveis oportunidades de ampliá-lo, uma vez que é cumulativo.

Assim, o conhecimento conquistado passa a fazer parte integrante e inseparável de cada um de nós, individualmente, e que não se transfere, por mais que se queira, nem mesmo aos nossos amores.

Também nos pertencem as virtudes que tenhamos conquistado, de que são exemplos a paciência (verdadeira ciência da paz), o altruísmo, a caridade, a honestidade, a ética, a humildade, a honradez e, sobretudo, o amor, lei maior da vida, que constitui o ensinamento máximo do Cristo, modelo e guia da humanidade, mestre e amigo de todas as horas, consubstanciado na expressão “amar ao próximo como a si mesmo”, ou seja, aconselhando que façamos ao próximo aquilo que gostaríamos que ele nos fizesse, porque quem assim procede estará amando a Deus sobre todas as coisas.

Não há ladrão que roube o conhecimento que adquirimos e as virtudes que conquistamos; a traça não os come, a ferrugem não os corrói e a morte de nosso corpo físico não os transfere a ninguém.

Pertencem-nos, pois, individual, verdadeira e definitivamente!

(Jornal Mundo Espírita de Fevereiro de 1998)

Incoerências

ago 8, 2011   //   by AMCury   //   Artigos  //  No Comments

A observação do cotidiano está a indicar que o ser humano em geral é incoerente.

Com efeito, não é raro encontrar-se médico, no pleno exercício da profissão, que fume, não obstante saiba, mais do que ninguém, quantos malefícios físicos provoca o uso do tabaco.

Mais comum ainda é deparar-se com o ser humano, de variada formação profissional, que rogue aos céus por saúde, repetidamente, apesar de estar quase que o dia inteiro com o cigarro entre os dedos.

É curioso, deveras.

Não se pode deixar de considerar que, quanto ao cigarro especificamente, a propaganda é bem feita, particularmente a veiculada pela televisão, eis que nela sempre há muito sol, muitas cores, paisagens magníficas e a prática de esportes por jovens bem arrumados e de aparência impecável, que procura dar a entender, subliminarmente, que tudo aquilo é devido ao seu uso, o que revela, por si, a existência de enorme incoerência, além de constituir-se em propaganda manifestamente enganosa.

Ora, o uso do raciocínio demonstra que a prática de qualquer esporte é incompatível com o uso do cigarro, que, como se sabe, não traz nenhum benefício a quem fuma.

Mais curioso ainda é que, por força legal, atualmente as fábricas são obrigadas a imprimir, nos cartazes de publicidade e até mesmo nos maços de cigarro, a advertência do Ministério da Saúde indicando que o fumo faz mal à saúde, que provoca câncer de variadas espécies, que provoca infarto do miocárdio e outros tantos males cardíacos, etc., mas que, não obstante, continuemos fumando e nos prejudicando (e também aos outros, que não fumam e que se vêem, muitas vezes, obrigados a participar passivamente desse envenenamento), como se o aviso nada tivesse a ver conosco.

Não deixa de ser curioso e incoerente, por igual, que o governo arrecade um volume extraordinário de impostos incidentes sobre o cigarro, cujo volume, todavia, não é suficiente sequer para atender aos pacientes dos males provocados exclusivamente pelo uso desse mesmo cigarro…

Estatísticas indicam que a nicotina e o alcatrão, existentes no cigarro, criam terrível dependência e que a vida física do fumante é encurtada em catorze minutos, a cada cigarro consumido.

Por outro lado, há inconteste incoerência quando o líder solicita pontualidade aos integrantes do grupo, mas, nada obstante, ele próprio chega atrasado às reuniões, fato que, lamentavelmente, tem acontecido até mesmo no meio espírita.

Também mostra-se incoerente a postura de quem pede saúde aos céus e, simultaneamente, faz uso de bebidas alcoólicas, sob variados pretextos: se está frio, para esquentar; se está calor, para refrescar; se está triste, para se alegrar; se está alegre, para festejar; se ainda não está na hora da refeição, para abrir o apetite; etc.

Ora, o mínimo de álcool de que necessita o corpo físico está contido em vários alimentos de uso diário, de tal modo que é absolutamente dispensável a ingestão de alcoólicos, destilados ou não, uma vez que o ser humano pode viver muitíssimo bem sem eles, e, não obstante, ser alegre, verdadeira e autenticamente alegre.

Ademais disso, como se sabe, o uso da bebida alcoólica tem provocado inúmeras e graves enfermidades, a tal ponto que, hoje, pacificamente, o alcoólatra é considerado um doente e, como tal, vem sendo tratado.

Igualmente, há incoerência quando se pede paciência e se é impaciente ou quando se pede paz e se é partícipe de verdadeira guerra doméstica, máxime quando se sabe que a família é a célula-mãe da sociedade.

Finalmente, nesses poucos dentre incontáveis exemplos do dia-a-dia, é incoerente o pai que ensina o filho a não mentir e que, quando soa o telefone, pede-lhe que atenda e diga que ele não se encontra em casa.

A melhor educação, sem dúvida, é o exemplo. A teoria convence, mas o exemplo arrasta.

A Doutrina Espírita convoca-nos permanentemente ao uso da lógica, do equilíbrio, do bom senso e, sobretudo, da razão, chegando até mesmo a aconselhar que aquilo que não passar pelo crivo de nossa razão deve ser rejeitado, qualquer que seja a área do conhecimento, motivo pelo qual defende ardorosamente a fé raciocinada.

O uso da razão, do raciocínio, quando repetido e continuado, permite apurada análise dos atos e fatos, com lógica conclusão, daí porque quem se acostuma a raciocinar está em plenas condições de agir coerentemente, de ser coerente.

Como se vê, a coerência é uma virtude que pode ser conquistada pelo reiterado uso da razão.

(Jornal Mundo Espírita de Janeiro de 2000)

Evite a lamentação

ago 8, 2011   //   by AMCury   //   Artigos  //  No Comments

Este é o título do capítulo 20 do excelente livro intitulado “Para uso diário”, ditado pelo Espírito Joanes através do médium psicógrafo J. Raul Teixeira e publicado pela Editora Fráter Livros Espíritas, cujo texto pode ser encontrado nas páginas 111 e 112 da 1ª edição, que veio a lume em 1999.

Está dito no primeiro parágrafo que “Cada dia novo que o Senhor lhe oferta é bênção de incalculável valor, na trilha de sua nova reencarnação” (página 111), como de fato é mesmo, bastando que observemos, para se chegar a esta conclusão, que ninguém pode garantir que amanhã, por exemplo, estará vivo, na carne. Que estaremos vivos amanhã, ainda que fora do corpo físico, não resta a menor dúvida, porquanto todos nós, Espíritos, encarnados ou não, uma vez criados por Deus (nosso Pai Celestial, criador de todas as coisas e inteligência suprema do Universo), passamos a ser imortais e, portanto, viveremos por toda a eternidade.

E, por outro lado, a bênção é de incalculável valor, realmente, uma vez que teremos novas 24 horas pela frente, segundo a contagem humana do tempo, que nos permitirão múltiplas oportunidades e atividades, como, apenas para exemplificar, a de ser úteis, cumprindo as nossas obrigações, desempenhando a nossa tarefa com capricho, com esmero, seja ela qual for, contribuindo por esse modo para o equilíbrio das relações humanas, sem falar que, nestas mesmas 24 horas, poderemos corrigir falhas, erros, males e equívocos cometidos, ajustando-nos e reajustando-nos com as leis divinas ou naturais, mesmo que parcialmente.

A seguir, o Espírito Joanes esclarece: “Você está no mundo com o propósito de progredir, conforme acertou com seus Mentores Desencarnados, que o acompanham do Invisível” (página 111).

A frase, enxuta e direta, permite conclusões de grande valia para o nosso dia-a-dia. A propósito, o nome do livro, “Para uso diário”, já diz tudo: são lições, advertências e esclarecimentos para nosso uso diário.

Com efeito, estamos no mundo para aprender e progredir. Como se sabe, o pro
gresso pode ser intelectual e moral, sendo que o progresso intelectual engendra o progresso moral. E será ótimo, excelente mesmo, quando ambos caminharem juntos, lado a lado.

Não é de graça, portanto, que se afirma ser a Terra uma escola, na qual todos nós nos encontramos matriculados para aprender, muito aprender, sobre todos os assuntos (ciências, filosofias, religiões, artes, etc.), a começar pelo aprendizado da fraternidade, que, uma vez consolidado, nos conduzirá a que tratemos a todos como nossos irmãos (que verdadeiramente o são do ponto de vista da vida verdadeira e permanente, a vida espiritual, já que somos todos filhos do mesmo Pai Celestial, que é Deus), fazendo aos outros o que gostaríamos que eles nos fizessem, com o que estaremos cumprindo o ensino máximo do Cristo, consubstanciado na célebre sentença: “Amar ao próximo como a si mesmo”, sabendo-se que quem assim procede estará, exatamente por este motivo, amando a Deus sobre todas as coisas.

De outra parte, quando na erraticidade, nós concordamos com nossos Mentores Desencarnados, que nos acompanham do Invisível, que reencarnaríamos para progredir, para evoluir, intelectual e moralmente, a cuja Lei do Progresso, aliás, estamos todos subordinados, no mínimo, porque para atingirmos a perfeição relativa é absolutamente necessário que saibamos tudo. Tudo de tudo. E, como sabido, o destino final dos seres humanos é constituído da perfeição relativa e da felicidade suprema.

Também pelo trecho antes transcrito, fica fácil deduzir que toda reencarnação é precedida de planejamento, isto é, a reencarnação se dá com linhas básicas definidas anteriormente, vale dizer, se casaremos ou não; com quem, se for o caso; que profissão teremos; se teremos ou não filhos; em que cidade ou local reencarnaremos; quem serão os nossos familiares; em que contexto social, etc., quase tudo passível de modificação posterior à reencarnação, como decorrência de nosso livre-arbítrio, que permite de maneira ampla que tomemos as decisões que quisermos mas que, em contrapartida, torna-nos por elas responsáveis, e responsáveis pelas suas conseqüências, como é natural e absolutamente lógico.

Ademais disso, os Mentores Desencarnados nos acompanham do Invisível, como verdadeiros anjos da guarda, velando por nós como fazem os pais em relação aos filhos, inspirando-nos boas idéias, boa conduta, sugerindo-nos o melhor para o nosso progresso, para o nosso auto-aperfeiçoamento, vibrando quando tomamos as decisões certas e lastimando quando enveredamos pelos caminhos equivocados, mas que, em verdade, não podem e não devem fazer o que nos compete, com exclusividade. É necessário que façamos a nossa parte, e a façamos bem, do melhor modo possível ao nosso alcance.

Depois de discorrer sobre o tema, de maneira concisa (todo o texto do capítulo 20 da multicitada e importante obra, com efeito, é composto de apenas 42 pequenas linhas), o Espírito Joanes, pela mediunidade de J. Raul Teixeira, aconselha: “Evite a lamentação, uma vez que ela em nada lhe auxiliará. Não diminuirá o peso da sua cruz, nem dispensará as nuvens que estejam toldando, porventura, os seus horizontes” (páginas 111 e 112).

Não obstante muito evidente, a verdade é que nem sempre prestamos atenção em que a lamentação (a lamúria ou a reclamação, se preferirmos estes vocábulos) não resolve nenhum problema, nenhuma dificuldade. Muito ao contrário, pode até gerar agravação.

Com efeito, se a lamentação ou a reclamação resolvesse algum problema ou superasse qualquer dificuldade seria amplamente indicada como a nova e fantástica panacéia dos tempos modernos, como novíssima medicação para todos os males.

Mas, como muito bem nos advertiu o Espírito André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, no pequeno-grande livro intitulado Agenda Cristã: “As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você” (28ª edição, FEB, 1991, página 120).

E lembrar, depois disto, que nós, de um modo geral, costumamos reclamar de tudo! E lembrar que, se não temos do que reclamar – hipótese raríssima, pouco encontradiça -, reclamamos do clima, seja porque chove muito, seja porque não chove, porque está calor ou porque está frio, porque venta muito ou porque o sol não aparece há vários dias, etc.!

É preciso e conveniente, portanto, que imponhamos silêncio sobre nossas eventuais reclamações (relembremos, com André Luiz, que elas nem mesmo conquistam a simpatia de quem nos está ouvindo), contribuindo, assim, para a harmonia do ambiente em que nos encontrarmos, tornando-nos pessoas mais agradáveis, de mais fácil convivência, palmilhando melhor, e cada vez melhor, enfim, o caminho da fraternidade.

(Jornal Mundo Espírita de Janeiro de 2001)

Reflexões sobre o suicídio

ago 8, 2011   //   by AMCury   //   Artigos  //  No Comments

É impressionante a estatística oficiosa dando conta de que em Curitiba, a cidade onde vivemos, são cometidos 14 suicídios em média por mês, ou seja, quase um suicídio a cada dois dias.

Este número só não é maior porque os diretores dos meios de comunicação, felizmente, concluíram que o melhor é não haver divulgação, a não ser em casos excepcionais ou que, pelas circunstâncias, não possam ser omitidos, diante do efeito multiplicador que a publicação certamente provocaria.

Conquanto sejam diversas as causas alegadas para o suicídio, em bilhetes e cartas deixados pelos autores de tão tresloucado gesto, em sua maioria, porém, aparece o desgosto pela vida como o motivo determinante.

A esse propósito, na pergunta 943 de O Livro dos Espíritos, a obra basilar da Doutrina Espírita, questionou Allan Kardec, o eminente e proeminente Codificador: “Donde nasce o desgosto da vida, que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos indivíduos?, recebendo dos Benfeitores da Humanidade a seguinte resposta: “Efeito da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade. Para aquele que usa de suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente. Ele lhe suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e resignação, quanto obra com o fito da felicidade mais sólida e mais durável que o espera” (texto encontrável na página 439 da 75a edição da FEB).

Com efeito, a ociosidade é perigosa sempre, o mesmo acontecendo com a saciedade, que cria a ilusão de que, por estar aparentemente satisfeito em todos os sentidos, o indivíduo não teria mais desafios pela frente, o que significaria, em última análise, estar submetido à intolerável rotina.

De igual modo, a falta de fé pode conduzir a criatura ao despenhadeiro, já que não tem confiança, e muito menos convicção, de que a vida prossegue para sempre, a despeito da desencarnação, conclusão a que se pode chegar pelo uso da razão, especialmente se combinada com a observação dos atos e fatos do dia-a-dia.

Feliz, pois, é quem usa de suas faculdades com finalidade útil, tornando-se útil onde quer que esteja, procurando servir antes de ser servido, revelando por este modo ter plena consciência de que mais se beneficia quem melhor serve.

Todos nós renascemos com aptidões, com tendências oriundas de outras existências, remotas ou não, razão pela qual quem a elas der vazão, com naturalidade, verá que nenhum trabalho é árduo; bem ao contrário, qualquer trabalho será fonte inesgotável de satisfação, sobretudo se realizado com esmero, do melhor modo possível, com apreciável qualidade, o que se constituirá, no mínimo, em importante contributo para o equilíbrio das relações sociais.

E, convém que não esqueçamos, “Toda ocupação útil é trabalho”, na enxuta e precisa definição de O Livro dos Espíritos, que se pode encontrar na resposta dada à questão número 675 (página 328 da 75a edição da FEB).

Assim, aquele que usa esses antídotos, ao alcance de todos nós, seguramente sentirá permanente alegria de viver, renovando-se a cada dia, para melhor, e seguindo em frente, sempre em frente, sem temor de qualquer espécie.

Por outro lado, não é difícil concluir que o suicida direto pretende eliminar a aflição, a vergonha, o desgosto pela vida, o problema maior, enfim, que esteja vivenciando, acreditando que por este modo estará pondo um ponto final em tudo.

Ledo engano! Que desapontamento terá depois!

Com efeito, o suicida pode pôr fim ao seu corpo material, ao seu corpo físico, que irá se decompor e transformar. Todavia, não conseguirá dar cabo de sua vida propriamente dita, à sua individualidade, uma vez que todos nós, Espíritos, seres pensantes da Criação, encarnados ou desencarnados, somos imortais. Depois de criados passamos a ser eternos, tendo uma única vida, desdobrada em inúmeras existências, cujo destino final é a perfeição relativa e a felicidade suprema.

Como as leis da Natureza são perfeitas, e por esta razão imutáveis, a brusca interrupção da vida física praticada pelo suicida, que não teve coragem e resignação suficientes para prosseguir, independentemente das dificuldades que encontrou pelo caminho, comuns a todos nós, deverá ser reparada, por ele, exclusiva e intransferivelmente, sofrendo expiação proporcional ao ato, à sua gravidade e demais circunstâncias.

Nem poderia ser diferente, uma vez que ninguém, exceto Deus, tem o direito de dispor sobre a vida.

Entretanto, não obstante o insano gesto, terá ele, com certeza, novas oportunidades para corrigir os erros, males e equívocos cometidos, porquanto sempre é possível recomeçar, eis que não há nas Leis Divinas ou Naturais condenação irremissível. Por mais hediondo que seja o crime, por maior insanidade de que se revista o ato, a reparação será sempre possível porque tendemos todos para a perfeição, que se constrói gradualmente, devagarinho, a pouco e pouco, a exemplo do que acontece com a própria Natureza, que não dá saltos.

Neste passo, interessante reproduzir a questão 950 de O Livro dos Espíritos: “Que pensar daquele que se mata, na esperança de chegar mais depressa a uma vida melhor? , que obteve a seguinte e lúcida resposta dos Espíritos Superiores: “Outra loucura! Que faça o bem e mais certo estará de lá chegar, pois, matando-se, retarda a sua entrada num mundo melhor e terá que pedir lhe seja permitido voltar, para concluir a vida a que pôs termo sob o influxo de uma idéia falsa. Uma falta, seja qual for, jamais abre a ninguém o santuário dos eleitos” (página 441 da edição da FEB, antes citada).

Por derradeiro, nestas rápidas observações sobre tema tão complexo quão penoso, vale relembrar que há também o suicídio indireto, que pode decorrer da gula, da ingestão de bebidas alcoólicas, do uso do tabaco em suas variadas formas, da exposição voluntária a riscos desnecessários (de que são exemplos as corridas de automóveis e de motocicletas), etc., cumprindo dizer, ainda, que o suicídio indireto também pode decorrer de viciações morais.

Pelo exposto, pode-se desde logo extrair inarredável conclusão: a prática do Bem é um excelente remédio para todos os males!

(Jornal Mundo Espírita de Novembro de 2001)

Reflexões sobre o Aborto

ago 8, 2011   //   by AMCury   //   Artigos  //  No Comments

No Brasil, a prática do aborto é considerada crime, exceto nos casos em que a gravidez resulte de estupro ou em que há grave risco à gestante.

Está inteiramente fora de cogitação, por óbvio, o abortamento espontâneo ou involuntário, que, como o nome está a indicar, independe de provocação.

Tal regra existe no Direito brasileiro há mais de 50 anos e, agora, por força de tentativa de regulamentação no Congresso Nacional, vem à baila a discussão sobre o aborto, propriamente dito.

Ao que parece, a preocupação maior está centrada em que, com a regulamentação, fiquem autorizados os serviços públicos de saúde a realizar o aborto, nas hipóteses previstas em lei, afastando-se, por esse modo, riscos maiores decorrentes de sua prática clandestina.

Seja como for, mesmo havendo certa confusão entre a autorização legal, que já existe para casos específicos, e a regulamentação que se pretende implantar, para permitir que, para os mesmos casos específicos, o procedimento possa ser realizado pela rede pública de saúde, o só fato de a opinião pública cogitar novamente do aborto é, com efeito, da maior importância, uma vez que propicia a divulgação das idéias e das convicções sobre o tema, de variados segmentos da sociedade.

Assim é que o Espiritismo só não condena o aborto quando o nascimento da criança puser em evidente e efetivo perigo a vida de sua mãe, entendendo ser preferível que se sacrifique o ser que ainda não existe, que não está consolidado, a sacrificar-se o que já existe, que já está consubstanciado, tal como exposto na questão 359 de “O Livro dos Espíritos”, a sua obra basilar.

Fora desta única hipótese, a Doutrina Espírita é frontalmente contra o abortamento, até mesmo no caso em que a concepção decorra de estupro.

Com efeito, além de qualquer filho não chegar por acaso, merece consideração especial o fato de que a gestante, nesta hipótese de gravidez resultante de estupro, estará aplicando a pena de morte contra o filho que está no seu ventre, crueldade que nem mesmo o estuprador praticou contra ela…

Ademais, admitindo-se, por mero exercício de imaginação e apenas para o efeito de argumentação, que se torne impossível a convivência posterior entre a mãe e o nascituro, aquele que há de nascer, por qualquer razão que seja, cumpre não perder de vista que são milhares os pais que se encontram nas filas da adoção, aguardando a oportunidade de exercer o amor, em plenitude, com o que será bastante simples e fácil a transferência da missão para terceiros, optando-se, assim, pela mantença da vida física da criança.

Por outra parte, há quem diga que nos primeiros meses de gravidez nada existe, ou seja, não existe um ser constituído. Todavia, iniciando-se a vida orgânica no momento da fecundação, é claro que existe vida humana em crescimento. Tanto é assim que, para exemplificar, o Direito Civil brasileiro protege os direitos do nascituro, daquele que há de nascer, conferindo-lhe até mesmo o direito à sucessão hereditária.

A concepção, assim, significa vida pulsante, que deve ser preservada, por todos títulos.

Não é difícil concluir, pois, que o aborto é um crime hediondo, praticado contra um ser que não pode se defender e nem mesmo suplicar por piedade.

Trata-se, com efeito, de verdadeiro infanticídio, com o objetivo de escapar da responsabilidade correspondente.

(Jornal Mundo Espírita de Setembro de 1997)

Temos aplicado?

ago 8, 2011   //   by AMCury   //   Artigos  //  No Comments

Quando estudamos as cinco obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese), que tratam de ciência, filosofia e religião, logo chegamos à conclusão de que ela prioriza o bom senso, ao mesmo tempo que aconselha o uso permanente da lógica, do equilíbrio e sobretudo da razão, o que não é de surpreender, uma vez que Allan Kardec, o seu Codificador, foi considerado por Camille Flammarion, o célebre astrônomo francês, como sendo “O bom senso encarnado”, e, também, pelo que consta no frontispício da obra O Evangelho segundo o Espiritismo, ao definir que“Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade”.

Assim, é oportuno que nos perguntemos se estamos seguindo e principalmente aplicando em nossas vidas, em nosso dia-a-dia, tal aconselhamento, vale dizer, se estamos procurando agir com equilíbrio e com bom senso e se estamos tomando as nossas decisões, em quaisquer campos e sobre as mais variadas questões, depois, e só depois, de passá-las pelos filtros da lógica e da razão, logicando e raciocinando, sempre.

É claro e muitíssimo importante que ajamos em consonância com os ensinos do Cristo, que nos mostrou ser o Amor a lei maior da vida, tanto assim que o seu ensino máximo está consubstanciado na expressão “Amar ao próximo como a si mesmo” , isto é, fazer ao próximo aquilo que gostaríamos que ele nos fizesse, sendo certo que quem desse modo procede estará, exatamente por isso, amando a Deus sobre todas as coisas.

Temos agido assim ?

Se temos, ótimo. Que continuemos, sempre e sempre, ainda que a pouco e pouco!

Se não temos, não há razão para desânimo, mesmo porque sempre é tempo de começar ou de recomeçar.

A verdade é que perseguir tais objetivos e mantê-los, depois de alcançá-los, é de todo conveniente, sob todos os pontos de vista.

Com efeito, quando aplicamos a lógica e a razão e agimos com equilíbrio e com bom senso, erramos menos e, portanto, acertamos mais, com o que, ainda que não o percebamos claramente, estaremos contribuindo de maneira considerável para a harmonia e a melhoria das relações humanas.

Ademais disso, quando as nossas ações são apoiadas no ensinamento de Jesus de Nazaré, o Cristo, particularmente quando enxergamos no próximo não um estranho mas um irmão, e a ele fazemos o que apreciaríamos que ele nos fizesse, sem dúvida, estaremos sendo muito mais felizes, desde agora, aqui mesmo no planeta Terra.

Por outro lado, é necessário que tenhamos fé, fé inabalável, que possa encarar a razão frente a frente, em todas as épocas, e isto só se consegue quando há convicção.

Evidentemente, não basta a fé cega, em que se acredita por acreditar e que, por esse motivo, não se sustenta e não resiste nem mesmo ao mais leve raciocínio, a nada conduzindo, a não ser a decepções e a desilusões.

A convicção geralmente advém do estudo, da observação e da análise constantes, em que os postulados doutrinários passam pelos crivos da lógica e da razão, fazendo com que os aceitemos com segurança, sem nenhum resquício de dúvida, como, por exemplo, quando logicamos e aceitamos com absoluta naturalidade que Deus é único, onipotente, onisciente e onipresente, infinitamente bom e justo, sendo a inteligência suprema do Universo e a causa primária de todas as coisas; que o Espírito ou a Alma existe e é imortal; que a vida é uma só, mas que há múltiplas existências; que é perfeitamente possível e nada sobrenatural a comunicabilidade com os Espíritos e, finalmente, que há pluralidade de mundos habitados, convindo enfatizar que a convicção gera segurança, confiança, certeza mesmo!

Certeza de onde viemos, o que estamos aqui fazendo e para onde vamos.

Certeza de que nada acontece por acaso e de que não há coincidências.

Certeza de que a família onde renascemos e os familiares que temos são os melhores para a nossa evolução, a despeito das aparências em contrário.

Certeza de que as Leis Divinas ou Naturais são perfeitas e imutáveis, de tal modo que fomos criados todos iguais, simples e ignorantes, e, portanto, partimos do mesmo ponto, não havendo, por isso, seres privilegiados na Criação, nem privilégio de qualquer espécie a quem quer que seja.

Certeza de que as dificuldades e os problemas que temos ou pelos quais passamos, de qualquer ordem, têm razão de ser e contribuem para o nosso progresso individual, servindo-nos de verdadeira alavanca, uma vez que não existem vítimas nesse contexto.

Certeza de que a semeadura é livre, mas a colheita obrigatória, isto é, que iremos colher exatamente aquilo que plantarmos, de maneira que somos os responsáveis pelo nosso próprio futuro, que, nestas condições, está em nossas mãos.

Certeza de que cada um de nós, sem nenhuma exceção, nem mesmo a de viciados ou a de encarcerados, possui o seu Espírito Protetor, o seu Anjo da Guarda, que permanentemente nos sugere e inspira boas idéias, e que vibra para que tomemos as melhores decisões, mas que não pode e não deve fazer a nossa parte.

Certeza de que Deus não castiga e não premia a ninguém e, por igual, de que a cada um será concedido de conformidade com as suas obras.

Certeza, por fim, dentre tantas outras, de que Deus, nosso Pai Celestial, nos concederá todas as oportunidades de que necessitemos para corrigir e quitar nossos erros, males e equívocos, até que nos ajustemos e reajustemos com as leis que regem a vida, zerando a nossa contabilidade e habilitando-nos a vivenciar a Luz, a perfeição relativa e a suprema felicidade!

A convicção geralmente advém do estudo, da observação e da análise constantes, em que os postulados doutrinários passam pelos crivos da lógica e da razão…

(Jornal Mundo Espírita de Setembro de 1998)

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Escala do Plantão de Passes

Já está disponível a escala completa de plantões de passes do segundo semestre de 2011. Você pode consultá-la clicando aqui.

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