Ivan de Albuquerque
Ivan Santos de Albuquerque nasceu em Brotas, Estado de São Paulo, no dia 16 de janeiro de 1918, filho de Romeu Vieira de Albuquerque e Laura Santos de Albuquerque.
Duma família de quatro filhos, além de Ivan, contam Cyro Santos de Albuquerque, Sônia de Albuquerque Miller e Laura Santos de Albuquerque Doretto.
Sendo uma família muito feliz e extremamente unida, receberam os filhos os mais notáveis exemplos de grandeza e de amor dos pais dedicados.
O mais velho dos filhos, Ivan mostrou-se um Espírito terno, bondoso, solidário, transmitindo para todos a sua envolvência afetuosa.
Preocupava-se demais com a juventude. Onde ele podia, levava sua palavra, sua mensagem para que a juventude não fumasse, não bebesse, que fosse dócil para com seus pais e digna perante a vida.
Fez seus primeiros estudos em Piracicaba, no Colégio Piracicabano. Mais tarde, em virtude de reveses financeiros da família, foi para o Ginásio Estadual, cursando só até o quarto ano ginasial, agora já em Bebedouro, para onde transladara-se toda a família, numa época em que o curso ginasial se estendia até o quinto ano.
Desde o verdor dos anos, bem menino, apresentava inúmeras habilidades manuais. Tinha pendores para construir brinquedos de vários tipos, com os quais contemplava irmãos e amigos. Confeccionava flores artificiais de farinha de trigo com tinta, como de papel, presenteando sempre a sua mãe, por quem vibrava com grande afinidade.
INICIAÇÃO ESPÍRITA DA FAMÍLIA
Ivan nasceu num lar espírita.
Tanto sua mãe quanto seu pai vieram de um lar católico. Seus bisavós maternos faziam parte da Ordem do Carmo. O bisavô era homem de confessar-se e comungar diariamente.
Tendo D. Laurinha casado muito jovem com o Sr. Romeu, este jamais se opõs a que ela lesse livros espíritas, considerando que desde os seus treze anos tinha idéias espiritualistas bastante acentuadas.
Certo dia, um primo que administrava a fazenda do Sr. Romeu, uma vez que morava na fazenda, perguntou a D. Laurinha o que ela queria que lhe fosse trazido de Brotas e ela respondeu que queria um livro espírita, sugerindo que lhe fosse comprado “O Livro dos Espíritos ” ou ” O Evangelho Segundo o Espiritismo”. A partir daí, entrou decidida no estudo e na vivência do Espiritismo. Os dois primeiros filhos, Ivan e Cyro, ainda foram batizados, mas as duas filhas seguintes, já não o foram.
RENÚNCIA E PROFISSÃO
Quando Ivan e Cyro já se encontravam no quarto ano do curso ginasial, o Sr. Romeu, seu pai, teve que enfrentar seríssimo contratempo econômico, ficando impossibilitado até mesmo de manter no estudo os dois filhos.
Ao serem participados das graves dificuldades surgidas, Ivan tomou a iniciativa de, sendo o mais velho, renunciar aos seus estudos, em favor do irmão. Ivan começou, então, a trabalhar como enfermeiro, no Hospital Esperança, em São Paulo, na Rua dos Ingleses, de propriedade do Dr. Bernardes que era conceituadíssimo médico de Campinas e exerceu a direção desse Hospital durante muitos anos. Ali, Ivan conseguia os recursos necessários para sua subsistência e enviava para o irmão, Cyro, então em Piracicaba, parte dos seus vencimentos, a fim de que ele pudesse concluir seu curso na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz.
No Hospital Esperança, ele exercia a enfermagem com aquela mesma dedicação, servindo aos doentes e, sendo solteiro e não afeito a festas ou teatros e mesmo cinemas, ficava todas as noites no próprio Hospital, visitando os doentes, conversando com eles, assistindo-os.
ALGUMAS DE SUAS AMIZADES
Muitíssimo amigo de Cairbar Schutel, mantinha com ele freqüente correspondência, admirando-o muito por suas qualidades de nobre vulto da divulgação espírita nas terras de Matão. Admitia que, para ele, Ivan, fazia-se importante manter aquele grandioso contato de amizade, como com outras criaturas que ele sabia poderiam enriquecer o seu trabalho, pela experiência, pelos felizes empreendimentos dessas almas pelo Espiritismo.
Além de Cairbar Schutel, foi muito amigo do prof. José Herculano Pires, junto com quem Ivan esteve, proferindo palestras em Marília, poucas horas antes da sua desencarnação.
Pessoas como Dr. Costa Neto (diretor de Departamento de uma das Secretarias de Estado do Estado de São Paulo), Dr. Júlio Prestes, D. Benedita Fernandes (abnegada e veneranda lidadora do Movimento Espírita na região de Araçatuba) e Jésus Gonçalves (notável trabalhador da Seara Espírita, marcado pela hanseníase, que muito atuou junto aos seus irmãos de infortúnio) estiveram banhados pela enternecida e cara amizade de Ivan de Albuquerque.
Era alguém que fazia amigos com muita facilidade, apesar de ser uma pessoa diferente, que não tinha muita conversa em torno das coisas materiais, estando mais voltado para os interesses espirituais, o que não o tornava antipático e fechado. Adaptava-se às necessidades e possibilidades das pessoas que com ele conviviam.
Falava com muita firmeza, com muita propriedade, sobre os assuntos espirituais, mas, também, sentia imensa alegria em estar no meio dos pequeninos, dos sofredores, dos enfermos, dos que necessitavam dele e, com isso, ele fez muitas amizades.
JESUS E ESPIRITISMO
Desde pequeno, Ivan demonstrava ser um Espírito com muitos predicados morais, muito desenvolvido. Através dos anos foi-se sobressaindo cada vez mais. Quando chegou aos dezesseis anos, mostrava um grande amor pelo Espiritismo. Começou a estudá-lo, profundamente, e, nesta idade, detinha conhecimento da luminosa Doutrina. Parecia estar muitos anos à frente, com a bagagem, formidável que levava.
Tudo o que se referia ao Cristo e ao Espiritismo ele sabia na ponta da língua. Eminente doutrinador, desde antes dos vinte anos proferia palestras em todos os lugares, onde era convidado, tendo viajado em pregação por inumeráveis cidades do interior paulista.
DO CONGRESSO EUCARÍSTICO AO JUQUERI
A família acabava de fixar residência em Sorocaba, tendo vindo de Araçatuba, onde morara. Lá ia o ano de 1942. Pouco depois de instalados, tinha lugar em São Paulo, o Congresso Eucarístico. Ivan, tomado pelo entusiasmo e por seu destemor, quando se tratava de falar do Cristo e do Espiritismo, saiu a distribuir, por entre o povo, boletins e volantes de propaganda espiritista. Nessa faina, foi preso sem que ninguém soubesse do seu paradeiro, o que provocou uma onda de ingentes sofrimentos em toda a família. Os pais, particularmente sofreram muito mesmo.
Depois de dois dias tenebrosos, a família logrou localizá-lo. Tinha sido levado para o Juqueri. (Hospital Psiquiátrico do Governo do Estado de São Paulo, situado no município de Franco da Rocha, na Grande São Paulo.)
Essa localização de Ivan efetuou-se graças à interferência de um parente muito caro, o Sr. Luiz Duarte da Costa, que mantinha boas relações de amizade com delegados e outras pessoas influentes que saíram à procura do jovem desaparecido, uma vez que ele já tinha sido procurado em hospitais e em delegacias, sem ser encontrado.
Preso e levado para o Juqueri, não obstante encontrar-se em profundo abatimento físico, muitíssimo esgotado e com a cabeça raspada, durante todo o tempo em que ali esteve, dedicou-se a falar aos enfermos, pregando os ensinamentos de Jesus e do Espiritismo, confortando e ajudando tanto quanto pôde. Nos seus bolsos foram achados, ainda, vários boletins e volantes de divulgação espírita.
Jamais tal episódio o desalentou, nem fê-lo atuar menos ou medrosamente nas atividades do Movimento Espírita, no qual aplicou o melhor dos seus recursos.
COM OS HANSENIANOS
Junto aos irmãos portadores da hanseníase, Ivan era simplesmente maravilhoso. Domingo sim, domingo não, dedicava-se a visitar os doentes. Freqüentava o Sanatório de Pirapitingüi, onde costumava almoçar com os internados, fazendo limpeza nas feridas daqueles pobres orações.
Inúmeras vezes o diretor do Sanatório, amigo da família, Dr. Francisco Arantes, chegava a visitar-lhe o lar e conversar com o pai, dizendo: “Seu Romeu, seu filho não pode fazer o que ele faz. Almoçar com os doentes, beber água do mesmo copo… Afinal de contas, o Sr. tem uma família, tem filhas. Não desejo proibir a entrada dele lá, mas ele não pode continuar fazendo essas coisas.”
Então, Seu Romeu, pessoa muito bondosa, muito querida, homem que, também ele, dedicou grande parte da sua vida ao próximo, pois foi devotadíssimo em conseguir empregos para os seus semelhantes, em Sorocaba, costumava chamar Ivan e dizer-lhe: “- Meu filho, não faça isso. Você não pode fazer o que faz lá, no Sanatório. Lembre-se que você tem uma família, tem irmãs… O Dr. Arantes veio aqui em casa e disse que, logo mais, terá que suspender as suas entradas lá porque você não pode fazer como vem fazendo.”
Invariavelmente, o devotado jovem respondia da mesma maneira: “-Papai, não há perigo nenhum! Nós todos temos as nossas provas. O que tivermos que passar, ninguém passará por nós. E, nesta reencarnação, eu sei que não vou ser atingido por essa doença, nem vou transmiti-la a ninguém de minha casa.”
Continuava, assim, sua vivência no meio dos doentes. Era amado pelos hansenianos. Jésus Gonçalves tinha por ele imensa admiração, no que era retribuído por Ivan, assim como D. Ninita, esposa do Jésus. Para todos era um dia de festa quando o jovem Ivan estava entre eles.
Ivan gostava de participar das festividades do Sanatório, alegrando-se com os internos. Não obstante fosse um Espírito sóbrio e enobrecido, tinha suas brincadeiras engraçadas, pois gostava muito de brincar, particularmente com seus pais e suas irmãs. Manteve-se visitante freqüente do Sanatório de Pirapitingüi até a sua desencarnação.
COM OS DOENTES, OS VELHOS E OS PRESIDIÁRIOS
O jovem Ivan de Albuquerque era pessoa que tinha piedade de todo mundo. Se tinha dois ternos, doava um. O que detinha, gostava de passar às mãos do seu próximo.
A sua bondade era sem tamanho. Preocupava-se muito com os velhinhos. Freqüentava o Asilo dos Velhos e ficava empolgado. Fazia palestras para os idosos, atendia aqueles que portavam doenças, achaques, aqueles que careciam de tratamento espiritual ou de uma oração. Para ele não havia horário, nem obstáculo para levar uma mensagem de esperança a toda essa gente.
Um domingo sim, outro não, em companhia de sua mãe, D. Laurinha, Ivan visitava a cadeia pública de Sorocaba. Os presos gostavam muito de sua visita, pelo seu jeito bom, sua atenção, suas orientações gerais, ocasião em que lhes pedia para que lessem, sempre, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, pois que costumava distribuí-lo com os detentos.
Muito afinado com sua genitora, Ivan conseguia manter com ela os exercícios de telepatia, seguindo sempre muito juntos, muito unidos, entendendo-se, de modo formidável. Assim, os dois envolviam-se notavelmente nessas tarefas, nas quais fortaleciam, mais e mais, a espiritual vinculação.
Ainda relativamente ao seu carinho pelos velhinhos, vale lembrar que, quando saía para o seu serviço profissional, estava sempre atento para ver se algum idoso desejava atravessar a rua, a fim de correr, pegar nos seus braços e atravessar junto.
A família tinha, continuadamente, um ou dois doentes que ficavam meses e meses em sua casa. Ivan os levava.
Durante a época em que existiu a úlcera de Bauru (ferida provocada pelo protosoário do gênero Leishmania, em razão da deficiência sanitária que se tornou muito comum nas regiões de Bauru, quando, pelos anos 40, iniciou-se o avanço territorial, com o desmatamento. A Úlcera de Bauru é a mesma Leishmaniose Tegumentar Americana.), o adorável Ivan, com todo carinho, banhava os doentes, diariamente, tratando das suas feridas, fazendo os curativos, com grande amor. Dava comida na boca dos doentes, penteava-lhes os cabelos e sentia efusiva alegria, dizendo para sua mãe: “- Mas, é tão pouco, mamãe!”
“Filho, você não está cansado?” perguntava-lhe D. Laurinha, percebendo o esforço e o devotamento do seu filho. E ele voltava, afirmando: “- Mãe, é tão pouco o que estou fazendo! Isto não é nada, imagine, mamãe! Sou jovem, tenho bastante energia…” E assim foi todo o tempo em que viveu na Terra, tendo sempre muito gente à sua volta; viandantes, pessoas que nunca foram conhecidas da família, anteriormente. Além de tudo, ele as levava para a Santa Casa, fazia-as passar pelos exames clínicos, radiográficos, providenciando o necessário tratamento, para esses doentes.
Recolhendo em sua casa esses enfermos, juntamente com sua mãe, Ivan os atendia com especial carinho, fossem velhos ou jovens, sem jamais inquietá-los com perguntas quaisquer, chegando muitos a desencarnar em seu lar, demonstrando a beleza da missão de amor ao semelhante para a qual viera ao mundo.
MAIS UMA AÇÃO SOCIAL
Numa época em que exercia suas atividades profissionais em Itaberá, em Itaporanga e em Coronel Macedo (cidades do interior do Estado de São Paulo, ao sul), dadas as dificuldades com que certos lavradores viviam, muito modestos, sem conseguirem garantir sua própria subsistência, Ivan fundou com eles um verdadeiro mutirão, um trabalho coletivo, por meio do qual explorariam a agricultura, dentro de certos modelos. Conseguiu, dessa forma, a colaboração de alguns fazendeiros maiores, com máquinas agrícolas, equipamentos, e o que mais fosse necessário.
Durante os dois anos em que ali, naquela região, esteve, pôde assistir, diretamente, a essa comunidade, que prosperou, evidentemente, graças aos resultados comunitários desse trabalho.
ESPÍRITO DE SERVIÇO E DESPRENDIMENTO
Quando Ivan prestava serviço na profilaxia da malária, no município de Itaporanga, ao sul do Estado de São Paulo, serviço este que era dependência da Secretaria de Saúde naquela região que, evidentemente, contava com a moléstia, em caráter epidêmico, deu-se um episódio muito curioso e bonito, atestando o seu abnegado espírito de serviço e o despojamento com relação a si mesmo.
Certo dia, durante suas atividades, Ivan soube que havia, do outro lado de um rio, possivelmente o denominado Rio Verde, uma senhora que estava sem assistência e em vias de dar à luz uma criança.
Alguns caboclos o procuraram apreensivos, no sentido de que ele, que tinha certa prática de enfermagem, pudesse atendê-la. Imediatamente, graças ao seu espírito solidário, altamente solidário, prontificou-se a ir. No entanto, como no momento as embarcações que ali costumeiramente estavam a postos navegavam rio abaixo, não havia outra forma de atender à mulher senão atravessando a nado esse rio. Incontinenti, o fez. Sendo ele um bom nadador, pois que, desde a sua infância, acostumara-se às águas do Rio Piracicaba, onde aprendeu a natação e a exercia freqüentemente, não lhe foi difícil o empreendimento.
Atravessou o rio, foi ao local e fez o parto, tendo solicitado o material indispensável naquela conjuntura, como uma bacia com água quente, panos e trapos, etc. Estava feliz por ter sido útil.
Na semana seguinte, ele foi acometido por uma gripe fortíssima com ameaça de pneumonia. Foi preciso recorrer, naquele tempo, quando não existia a penicilina, a produtos químicos para que se pudesse impedir o desenvolvimento da gripe a e a infecção pulmonar.
VALOR E SIMPLICIDADE
Enquanto trabalhava no Hospital Esperança, cuidando com muita atenção dos mais variados internos, nas suas horas além das obrigatórias, Ivan teve ensejo de travar contato com o Dr. Júlio Prestes de Albuquerque que se achava em tratamento. O Dr. Júlio Prestes, como era conhecido, foi presidente do Estado de São Paulo, eleito presidente da República e não empossado; foi acometido de uma infecção renal grave e ali fora para submeter-se a uma cirurgia. E Ivan, como fazia, sistematicamente, com todos os doentes, passou a assisti-lo também. Fê-lo de tal modo que numa certa noite, quando o Dr. Prestes já estava quase por deixar o Hospital, indagou ao jovem enfermeiro: “- Ivan,, você é Albuquerque?” “Sim!”, respondeu Ivan. E, prosseguiu Dr. Prestes: “- Quem sabe não sejamos parentes, porque também eu sou Albuquerque, sou Julio Prestes de Albuquerque?” Então, respondeu-lhe Ivan: “- Olhe, Dr. Júlio, eu me sentiria muito honrado se fosse seu parente, mas acho que não o sou porque o meu Albuquerque é de Brotas e o seu é daquela região de Itapetininga. Para mim seria muito gratificante.” Nisto, retoma a palavra o velho político: “- Ivan, se você, alguns anos atrás, tivesse a pretensão de ser meu parente, naquela ocasião em que eu militava na política e me sentia como uma árvore frondosa, onde os viajantes paravam para ter a sua sombra, onde os pássaros faziam seu ninhos e onde os viandantes comiam os seus frutos, poderia até fazer de você um juízo indevido, de uma pessoa político-interesseira, porque eu vivia cercado de políticos interesseiros… Mas, hoje, quando eu já me encontro no ocaso da vida, sentindo-me agora uma árvore seca, onde os pássaros não fazem os seus ninhos, onde os viandantes não têm nem frutos, nem sombras, eu é que ficaria muito envaidecido e muito honrado se fosse seu parente. No conceito dos homens, Ivan, você é realmente uma criatura de profundo espírito cristão; alguém desprendido de vaidades e de ambições, uma pessoa que tem-se conduzido por um afeto, por uma amizade, por um calor humano que jamais conheci, durante toda a minha existência…”
CURIOSO CASO DE PREMONIÇÃO
Nas conversas domésticas, todas as vezes em que o velho Romeu abordava Ivan, em torno da importância da formação de uma família, tendo-se em conta que o jovem filho era de compleição física saudável, dono de suave harmonia de formas, com uma voz muito bonita e invejada, sendo muito querido das jovens que o assediavam, à época, naturalmente aguardando alguma chance, Ivan lhe respondia dizendo: “- Nesta encarnação, não vim para constituir família porque vou partir muito cedo.” Dizia-o com tal tranqüila certeza que sua mãe, tocada pela alusão, lhe contestava: “- Meu filho, não repita isto, porque não sei se terei estrutura, embora o meu conhecimento da Doutrina, para perder um filho…”
A alma notável do jovem pregador, no entanto, “sabia”, do fundo d´alma, com aquela certeza subjetiva dos Espíritos lúcidos, que não chegaria aos trinta anos de idade, conforme o apregoou diversas vezes.
A família tinha em casa uma cabra chamada Esmeralda. Era tratada com imenso carinho e cuidados por Ivan. Diariamente, em torno das seis horas da manhã, Ivan costumava levar um copo de leite da cabra para os seus pais e para cada uma das irmãs.
Certo dia, numa época em que Ivan estava viajando, um dos seus amigos mais chegados, Waldemar Telles, muito nervoso, muito preocupado, dirigiu-se ao Sr. Romeu e disse-lhe:
“- Seu Romeu, eu tenho uma notícia horrível para lhe dar.”
“- O que foi, Waldemar, diga? O que foi que aconteceu?”, – atalhou o pai.
“- O Ivan morreu!” – respondeu Waldemar.
“-Como!? Não é possível uma coisa dessa…”
Waldemar se recompôs e disse, envolto num sorriso muito pálido: “- Estou brincando, foi a Esmeralda que morreu; a cabra…”
Passados três dias, o trem pegou, de fato, a cabra Esmeralda e ela veio a falecer.
Nesse ínterim, retorna Ivan de sua viagem e ficou muito triste com a notícia da morte de Esmeralda…e, passado algum tempo, ele veio a perecer, como Esmeralda, num desastre de trem…
DESENCARNAÇÃO E RESGATE
Toda a vida de Ivan de Albuquerque foi dedicada a uma causa: à Causa do Espiritismo, à pregação, à solidariedade humana. A vida tem desígnios que quase nunca conseguimos alcançar. Ninguém poderia esperar que uma criatura sempre preocupada com os destinos e a vida não só de seus familiares, mas de todos aqueles que o cercavam, tivesse em sua programação de saída da Terra, uma desencarnação tão trágica como teve o nosso personagem.
Começava o mês de abril de 1946, em plena quadra outonal, quando o amorável Ivan, que a esse tempo vivia com seus pais, em Sorocaba, viajou para Marília, também interior paulista, a fim de proferir palestras, atendendo aos seus labores de pregador.
Atendidas as tarefas de Marília, desenvolvidas com a mesma inspiração de sempre, com a mesma simpatia e com a contínua objetividade e clareza de argumentação, um amigo seu, residente em Tupã, instou para que ele fosse repetir a mesma palestra, realizada em Marília, na sua cidade.
Embora ele tivesse compromissos em Sorocaba, não resistiu aos insistentes apelos do seu amigo e partiu para Tupã, numa composição ferroviária. Não poderia supor o nosso jovem sanitarista que havia soado o momento da libertação, ultrapassada a porta estreita dos deveres nobremente executados, numa juventude formosa e radiosa, vivida com entusiasmo e extrema consciência da responsabilidade.
Quando estavam chegando nas proximidades de Pompéia, cidade intermediária entre Marília e Tupã, conversando com o companheiro que o convidara e o acompanhava, disse-lhe Ivan: – “Veja só, nasci numa fazenda de café e nunca tive a oportunidade de observar um cafezal tão bonito, tão vistoso, como este que estamos observando pela janela do trem. Gostaria de observar mais de perto este lindo cafezal… E dirigiu-se à porta do último vagão da composição férrea, no exato momento em que tal composição completava uma curva e entrava numa reta para chegar à estação ferroviária de Pompéia, cinco ou seis quilômetros depois. Desse modo, com um movimento de flexão desse último vagão, Ivan, já à sua porta, perdeu o equilíbrio do corpo e caiu, caiu batendo, ao que se supõe, no barranco da margem, tombando, em seguida, sem sentidos, sobre os trilhos…
Em Pompéia, na estação, estava parada uma outra composição que deveria dirigir-se a São Paulo. Tão logo chegou a composição donde Ivan caíra, a outra partiu, em razão do necessário desvio de linhas que se dera, liberando a passagem ao comboio de ferro.
O depoimento do maquinista, quanto o do foguista, na delegacia de Pompéia, dava conta de que não houve tempo para frear a composição, tendo, então, passado por cima do corpo.
Desprendido do corpo, em razão do desmaio que sofrera, foi retirado dali, pelos Emissários da Luz, seus Amigos e inspiradores, a fim de que não se aturdisse com as cenas, naturalmente fortes, que se desenrolariam com o passar do trem sobre o fardo imobilizado, do qual se despedia o impoluto servidor de Jesus.
Era o dia 5 de abril… Cumpria-se a precognição do próprio Ivan, bem como a do seu amigo Waldemar Telles.
Os espíritas de Pompéia, de Marília e de Tupã, reuniram-se em Pompéia, tão logo ficaram sabendo do acontecimento, e prestaram todas as homenagens póstumas ao querido confrade, ali desencarnado, em pleno cumprimento do dever, disseminando as luzes do Consolador.
PRIMEIRAS NOTÍCIAS PÓSTUMAS
Foi por intermédio da Sra. Laurinha de Albuquerque, mãe de Ivan, que era médium escrevente, que, aproximadamente trinta dias após o acontecimento, adveio uma comunicação do filho sempre amado. Evidentemente, num estado de certa angústia, em face da separação, pelas condições do desprendimento, mas explicando e esclarecendo as circunstâncias todas que motivaram a desencarnação, o que logrou, não obstante os compreensíveis sofrimentos dos afetos e dos amigos, confortar a todos, acenando com as esperanças de abençoado reencontro, nos campos da perene Luz.
Do pretérito comprometido com as Leis Divinas, Ivan consegue libertar-se, por meio do denodado trabalho em favor do progresso e do bem, com excelente disposição.
Com seu trabalho incansável e com sua disposição de servir e crescer para o Cristo, deixa-nos, o notável Apóstolo do Bem, incontáveis e fulgurantes exemplos com os quais a Juventude destes dias e a porvindoura encontrarão roteiro e apoio para a real conquista da paz, multiplicando as ações do Mestre Nazareno pelo mundo, sem temores, sem entrega aos torpores das paixões infelizes, avançando sempre para o Grande Amanhã.
Seus irmãos,
Cyro Santos de Albuquerque
Sônia de Albuquerque Miller
Laura Santos de Albuquerque Doretto
Camilo
Camilo é como se denomina o Espírito que escreve através da mediunidade psicográfica do médium espírita J. Raul Teixeira. Mostrou-se a ele, pela primeira vez, numa noite de março de 1974, quando se iniciavam os seus serviços práticos de mediunidade.
Assim narra Raul: “Envolveu-me num indescritível fluido de paz. Penetrou-me com um olhar tão profundo que tinha a impressão de que sondava-me as mais íntimas disposições.
Vestia-se como franciscano dos tempos mais distantes do franciscanismo e toda a sua presença era um “extravasar” de harmonia.
-‘Meu filho, Jesus, cujo nome vem sendo proferido por nós ao longo da eras e, ao mesmo tempo, por nós incompreendido, deverá ser a nossa Estrela Maior, a nossa Inspiração Maior, o nosso Aconchego Maior. Se lograrmos dar conta desse compromisso, iniciado há tantos séculos, sem o necessário êxito, sorveremos a ventura no cálix da vitória, milenarmente suspirada. O tempo urge, filho, e não o teremos demasiado… Esqueça-se a si mesmo; recorde-se, porém, dos velhos deveres junto ao Irmão Seráfico de Assis e que nada nos detenha. Vamos, meu filho, pois o Divino Amigo tem-nos sob seu olhar de misericórdia, e teremos bem pouco tempo…’
Invadido por intensíssima emoção, diante daqueles olhos que brilhavam e ditavam-me esperanças, e diante do que ele acabava de escrever, sem assinar, perguntei-lhe, pelo pensamento:
-‘Como o senhor se chama?’
E ele retomou o papel e grafou: ‘Camilo’.
E tudo se desvaneceu diante da minha pobre percepção.
Desde aquela noite até agora, Camilo tem sido um verdadeiro amigo. Pacientíssimo e lúcido, culto e lógico, coerente e paternal, abrindo-me sempre a visão para maneiras novas de encarar velhos quadros e acontecimentos da vida diária, na condição de bondoso professor que não humilha o aluno incapaz, mas vai conduzido-o aos mais claros raciocínios, valorizando seus pequenos avanços, propiciando-lhe possibilidades de sempre caminhar mais para a frente.
Explicou-me, oportunamente, que nossas vinculações estão muito distanciadas no tempo, antes dos tempos cristãos, mas que nosso envolvimento mais profundo deu-se nos tempos das arenas romanas e que, no século XII, com os labores do Iluminado de Assis, na Úmbria, assumimos compromissos graves que, por minha vez, não consegui cumprir.
Camilo é o criptônimo que ele adotou para apresentar-se. Diz sempre que é de pouca importância o nome, quando, na condição de viajor da evolução, já deteve tantos nomes, títulos e nacionalidades, no longo caminho para Deus.
Estando na Terra, ainda nos começos deste século (XX), participando dos movimentos progressistas da cultura européia, costuma se mostrar à visão também com vestes seculares, indicando essa época, numa expressão fisionômica de um homem atilado, tranqüilo e nobre, grisalho, na madureza dos cinqüenta e poucos anos.
Comove-se ante os que sofrem sem o necessário entendimento das razões do padecer e mostra-se piedoso e compreensivo par com os ignorantes das coisas do Espírito, com esses incapazes de vôos mais altos do pensamento.
Tendo ele vivido intensamente nos caldeamentos reencarnatórios, ora nos campos da propagação cristã, ora nas esferas das diversas ciências, ora nos templos do pensamento filosófico, tudo isso mesclado às lides do homem comum, em comunidades rurais do velho mundo, tem-me oferecido ensejo de meditar sobre os diversos enfoques de cada problema humano, levando-me a retirar formidáveis elementos para o meu aprendizado e para a minha ação, nas rotas das minha própria vida.”
Niterói, julho de 1991
(Correnteza de luz, J. Raul Teixeira, ed. Fráter)Valorização da inteligência
Nunca será demasiado atentar para a fenomenal atividade da inteligência, a serviço da vida ou da morte em cada passo da existência humana.
É trabalho da inteligência:
- o uso da eletricidade para o invento da lâmpada;
- o desenvolvimento da neuro-microcirurgia que pode atender a problemas do feto no íntimo uterino;
- a aplicação da morfina como abençoado anestésico;
- o uso da energia do átomo para tratamento de graves tumorações.
Também é da alçada da vigorosa inteligência humana:
- o uso da eletricidade para a construção da cadeira elétrica;
- o uso da cirurgia para o nefando tráfico de órgãos de crianças e adultos;
- a aplicação da morfina como droga perigosa;
- o uso da energia do átomo para a construção da bomba destrutiva.
É tão séria a questão do uso e do abuso da inteligência no mundo, que o Espírito Ferdinando tratou do tema chamando a atenção para a missão do homem inteligente na Terra (1). Enfocou grandeza da utilização enobrecida da capacidade intelectiva, a que faz a vida crescer, em contraposição ao abuso dessa capacidade, que leva a criatura às práticas do orgulho e da vaidade que tudo encaminham para a perdição.
Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, interroga os Nobres Imortais a respeito da inteligência e deles recebe a informação preciosa de que a inteligência é um atributo do ser espiritual,podendo ser sua sinonímia(2). Em razão de serem os atributos espirituais elementos de que nos dotou a Divindade, para que implementássemos nossa evolução, seria bastante coerente que pudéssemos dar-lhes a mais eloqüente aplicação. Tristemente isso não ocorre, deixando-se a criatura humana levar, em grandes magotes, pelas inspirações mais deletéreas que agem sobre seu livre-arbítrio.
Como é que o ser humano vem utilizando esse atributo? Como vem se Desenvolvendo no mundo, considerando-se a capacidade que tem de operar o bem e o mal?
Por que não se dedica o indivíduo utilizar sua inteligência em pol de si mesmo com sabedoria? Por que não se preserva dos multiplicados tipos de vícios que só fazem escravizá-lo, a partir da avaliação dos prejuízos que sofre, e do entendimento de que a eles renunciando faria muito bem à alma e ao corpo físico, conseqüentemente, estabelecendo pujante saúde?
Por que se atira o indivíduo aos paues da ira, envenenando-se com as energias do ódio, que lhe desgasta a saúde neurológica, promovendo enfermidades que a si mesmo se impõe, quando o exercício da paciência, da tolerância, em nome da indulgência, tudo resolveria?
Feliz seria a criatura que aprendesse a fazer prevalecer os valores da sua inteligência em favor de si mesma, de seus progressos graduais, de sua evolução. Caso se ocupasse com o bom uso de seus recursos intelectivos, mais rapidamente alcançaria a ventura, as alegrias que a conquista de si mesmo proporciona, uma vez que se desprende do visco do orgulho, das teias da vaidade, demandando as vias da verdade que nos confere a fé inabalável, aquela que não se atemoriza frente aos mais formidáveis progressos humanos.
Por que a pessoa não utiliza a sua inteligência para alimentar uma boa relação familiar? Nesse particular, quantas incompreensões, quantos desentendimentos por nonadas, quanta prepotência irracional? Orgulhos que efervescem, vaidades que transbordam estabelecendo campo aberto para malquerenças,mágoas, remorsos, perdição…
Por que não ajuizar quanto à sabedoria das leis de Deus que permite estagiemos junto àqueles que são importantes para a conquista do nosso progresso, para o nosso avanço no rumo da paz íntima?
Por que não admitir que o compromisso não devidamente atendido é compromisso que remanesce para o futuro?
Por que não utilizar de modo inteligente o relacionamento com a família, a fim de conquistar os que se mostram difíceis de amar, abrindo o próprio sentimento para não se tomar, por sua vez, a peça dificultosa no seio doméstico?
Se a criatura humana valorizasse a sua inteligência, desenvolveria melhor atuação na esfera dos compromissos profissionais, uma vez que se imporia o dever da honestidade no trabalho sob sua responsabilidade, do respeito às capacidades diferentes dos companheiros, consideraria as oportunidades do tempo, não se tomando devedor dessa preciosa bênção que nos proporciona crescimento esférico, pelas sendas evolutivas.O bom uso das horas de trabalho far-nos-ia libertados do orgulho de ser melhor que os outros, da vaidade de querer destacar-se a qualquer preço, distanciando-se das rotas frustrante,de perdição, geradoras de tanta desventura.
Por que o indivíduo não utiliza sua própria inteligência, dignamente, para levar adiante seu desempenho na política do mundo? Por que se deixa penetrar por egoísmo devastador que lhe corrói pouco a pouco a firmeza dos ideais, tomando-o escravo dos mais absconsos interesses imediatistas?
Se soubesse da responsabilidade que amarra os administradores da coisa pública, do erário; se pudesse avaliar os complicadores criados para o futuro próximo, quando se malbarata a confiança alheia após tê-la conseguido à custa do sorriso mentiroso, de promessas impossíveis de cumpridas ou do verbo tão cínico quanto sedutor, com certeza abriria mão dessa taça de sofrimentos, que deverá ser sorvida pouco a pouco, e procuraria agasalhar-se nas telas da honestidade, da honradez, da simplicidade, destacando-se pelo espírito de serviço por meio do qual representaria os interesses do Criador para a Sua criatura, nos painéis do mundo.
Se a pessoa pudesse bem utilizar sua capacidade reflexiva para atentar para todas as conseqüências de sua vida decorrentes, jamais mergulharia no poço da perdição, posto que não se admitiria envaidecer nem orgulhar-se com o que, em realidade, não lhe pertence – embora muitos se apropriem do que é público como se seu fosse -, reconhecendo que, ao invés de complicar-se, desnecessariamente, pode fazer-se um braço do Grande Autor em meio às necessidades diretivas do mundo.
Poderia a criatura humana, caso usasse com grandeza a sua inteligência, atuar com verdade junto aos ensinos de Jesus Cristo, pautando-se pela reverência à pauta de luz advinda do amor de Deus aos Seus filhos terrenos. Então, não os distorceria para atender a escusos objetivos.
Como é que no campo da fé religiosa pode ser concebida a ação do orgulho, que alimenta a idéia de grupo de almas escolhido pelo Senhor, como se o Senhor não fosse equânime, atendendo aos filhos de conformidade com suas necessidades, divinamente justo e bom, ou da vaidade de considerar-se alguém melhor que os outros, como crianças que disputam a preferência dos genitores? Sem embargo, tais posturas são indicativo da própria indigência moral humana, da insegurança quanto aos conceitos que expressa, da incapacidade de pensar com maturidade a respeito dos ensinamentos do Cristo quando estabelece que os que se exaltam serão rebaixados…
Importante meditar no motivo que levou os Imortais, que ditaram ao mundo a Proposta Espírita, a ensinar que Deus é a Inteligência suprema do universo. Uma vez que Dele proviemos marcados pela simplicidade e pela ignorância, e para Ele estamos retomando, conscientes, lúcidos, usando nosso livre-arbítrio, por que não pautarmos pela correção o encaminhamento da nossa inteligência?
Vale refletir sobre a importância da inteligência que cada um de nós representa e, mais ainda, no bom uso que cada um deve se impor, a fim de reerguermos o mundo terrestre para os Altos Cimos, retirando-o dessas trevas densas em que ora está imerso em razão da má usança, da ação nociva e predadora de avultado número de almas.
( Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em 27.5.2002, na Sociedade Espírita Renovação, Curitiba-PR. )(1)
(2)
Na rota do Grande Pai
Aos dedicados companheiros da Sociedade Espírita RenovaçãoMeus filhos,
Paz em seus corações.
Na marcha do tempo que o Senhor nos oferece, vale pensar na bênção de que se reveste o nosso trabalho em favor do espalhamento do bem no mundo.
Cada momento vivido, na experiência do corpo físico, representa oportunidade grandiosa de construirmos, aos poucos, tijolo a tijolo, o roteiro consistente para a vitória sobre nós mesmos.
Cada palavra empregada na elaboração das nossas comunicações, significa nota valiosa na pauta da alegria bem estruturada, que projetamos para o amanhã.
Cada sorriso de contentamento ou de digna amizade traz, no seio do cotidiano, o refrigério e o encantamento que impulsionam as boas obras nas mãos de tanta gente que nos cerca, nas peripécias do dia-a-dia, e é capaz de iluminar incontáveis corações que vivem sequiosos de apoio da alegria e de segurança moral.
Cada gesto de entendimento fraternal e de ternura exprime o movimento da vida que bate as sombras da morte, que teimam em provocar os humanos em suas pelejas nas vias do crescimento necessário.
Cada atitude, projetada para estribar a harmonia e o equilíbrio, é um retrato da presença de Jesus, norteando a tantos quantos nos observam no campo das humanas lutas, ansiando por referenciais das criaturas que crêem no poder do bem, embora não tenhamos que nos atormentar ante quaisquer pruridos de invulnerabilidade.
No bojo das nossas existências, torna-se indispensável manter bem ativas todas as peças que compõem o mosaico das lutas humanas, nossos relacionamentos na família, no trabalho diário, nas atividades sociais, de modo a operarmos com feliz vibração e com acerto, na realização de tudo o que trouxemos como compromisso nosso, pessoal, para os labores terrestres.
Vale a pena não viver aos encontrões, aos trambolhões, desatentos para com as responsabilidades entregues por Deus as nossas mãos.
Urge pensar na harmonia, meditar sobre a paz, e, tanto quanto possível, situar nossas vidas nesse campo de abençoadas sensações e de suaves emoções que nos fortificam o cerne da alma.
Na atroada cotidiana, é sempre válido considerar a magia dos pequenos gestos, na força das ações diminutas, no poder do orvalho de amor sobre as tórridas condições de tantas almas. Que não suponhamos que a Deus somente interessem nossos movimentos grandiloqüentes ou as nossas operações imensas, vida afora. Não, não, meus filhos. O Senhor de todos nós tanto valoriza o vôo da águia sobre os acumes das montanhas quanto o flanar dos colibris sobre os jardins.
Procuremos, assim, penetrar tudo quanto façamos pelo amor, pela boa vontade, pela alegria de viver servindo. Reflitamos, filhos, em torno das pequenas grandes chances que todos temos para ajudar a vida a brilhar, com a nossa particular cooperação.
Cada momento, cada palavra, cada sorriso, cada gesto, cada atitude, tudo pode receber o impulso da luz, quanto pode perder-se nas sombras. Tudo depende do valor que damos às coisas em tomo de nós, às coisas que vemos e às que fazemos. Melhoremos, cada vez mais, nossos sentimentos, amadurecendo mais e mais nossas condições gerais, na rota para o Grande Pai.
Somente então, poderemos lograr o encontro de nós conosco mesmos, identificando a presença do Criador em nós. Tenhamos cuidados e atenção com o que façamos da nossa atividade diária, passando a valorizar as coisas pequeninas, mas que podem refletir o bem. Guardemos em nossos corações fiéis a Jesus Cristo, os aromas da alegria e da paz que emanam do Mundo Superior, permitindo a cada um de nós a fruição dos júbilos da alma tranqüila que aprende a crescer para os altos cimos, degrau a degrau, passo a passo, confiantemente, seguramente.
Recebam, assim, o carinhoso abraço do seu servidor, sempre singelo e paternal,…
( Mensagem psicografada pelo médium J. Raul Teixeira, em 24.4.2000, na Sociedade Espírita Renovação, em Curitiba-PR. )Não se deixe seduzir
“Tende cuidado para que alguém não vos seduza…” Jesus (Mt.24:4)Nas paragens do mundo é muito comum que grande número de almas se permite conduzir por veredas sombrias, por se deixar seduzir em diversas ocasiões, por motivações variadas.
Na Terra, o fascínio tem componentes estranhos, capazes de obnubilar o discernimento daqueles que são apanhados nas teias viscosas de perigosas seduções. Muito importante, assim, é o ensinamento do Celeste Amigo para os caminhantes terrestres, a fim de não se deixarem cegar por elas.
Tende cuidado para que alguém não vos seduza…
No planeta facilmente encontramos imenso contingente de criaturas hebetado, ou excitado, ou, ainda, profundamente confuso, seguindo rotas perturbadoras, escuras, levado pelas determinações do encantamento malsão.
São muitos os que têm sorriso fácil, conversa agradável e gestos festivos, mas que são grandemente perigosos, semelhantes a serpentes coloridas, brilhantes e enormemente venenosas. Dessa forma, conseguem nublar a lucidez diminuta dos inexperientes, levando-os a situações desafortunadas.
Movidos pelas infelizes seduções, muita gente abandona o trabalho do bem, descura da ação renovadora, negligencia quanto aos deveres domésticos, menosprezam o cultivo da fé libertadora. Outros, sob as mesmas pressões, adentram pantanais viciosos, relaxam os cuidados para com a existência e deixam fanar oportunidades luminosas.
Tenha cuidado com tais caracteres capazes de levarem-no à perda, às derrotas morais, ao declínio da saúde e da alegria de viver.
Aprenda a verificar ao seu redor aqueles que costumam esvaziar seus melhores momentos, os sedutores que estão sempre posicionados para promover a cizânia, fazendo com que você fique mal, sempre armado contra tudo e contra todos, atirando fel sobre as suas abençoadas horas no mundo.
Muitos tentarão seduzi-lo para que gaste todo o seu tempo com lazeres, com folguedos e aventuras, que o farão profundamente frustrado, imensamente inditoso por negligenciar com as oportunidades que a existência lhe brinda.
Tenha cuidado para que alguém não o seduza.
Ao longo do seu caminho terreno, você encontrará diversos companheiros com grande poder de sedução. Ao verem-no compenetrado, operoso no bem e feliz, honesto com seus deveres e fiel ao Cristo, tudo arquitetarão objetivando impulsioná-lo para escusos descaminhos, onde você só encontrará arrependimento e dor pela malversação do tempo.
Veja se consegue manter-se na linha defensiva, apoiando-se nos ensinos renovadores do Mestre, vigilante e atencioso perante a venturosa existência humana, que lhe foi facultada para progredir pelo trabalho e pelo amor.
Você está no mundo para superar-se a si mesmo, e se tiver que se deixar levar por algum encantamento, escolha aquele que o chama ao discernimento e ao bom senso, à atividade nobre e ao respeito às leis celestes. E esse encantamento de intensa lucidez, conducente à harmonia, é exercido por Jesus e por seus prepostos. Fora disso, tenha cuidado e refugie-se na oração e na vigilância para que se estabeleça a sua frente a estrada definida e clara da sua própria redenção, que lhe permitirá avançar nos passos do Cristo Excelso.
Francisco de Paula Vítor
(Mensagem psicografada pelo médium J. Raul Teixeira, em 27.4.1998, na Sociedade Espírita Renovação, Curitiba-PR.)Jesus – O eixo central de todos nós
JESUS: EIXO CENTRAL DE TODOS NÓS
Senhor e Mestre Jesus, amigo de nossas vidas. Perenemente Senhor, temos Te buscado nos momentos de dor, de agonias, de necessidades, esperando de Tuas mãos augustas o beneplácito, o incentivo, a medicação… Mas neste momento, Amigo Celeste, sem dúvidas que os nossos corações Te buscam, mas para dizer-Te que estamos felizes, para agradecer-Te por nossa Casa, por nossa Sociedade, pela mensagem de esperança que vem nos coroando de bênçãos a 137 anos sobre a Terra.
Amigo divino, penetra-nos o coração e deixa-nos inebriados com a Tua presença augusta que os Teus representantes do bem marcam junto a nós. Vem até nós Senhor, neste momento de oração e enlaça-nos no Teu incomensurável amor.
Quando oramos por esta Casa pensamos em tantas outras casas que divulgam a Tua Causa, espalhando luz, misericórdia, orientação para a Terra inteira. Eis porque Senhor, nossas almas vibram de contentamento. (deste ponto em diante a voz era do Dr. Bezerra)
Eis porque Senhor, reunimo-nos hoje para dizer-Te que somos felizes debaixo da claridade do Sol de primeira grandeza que Tu representas para nós.
Abençoa ó Mestre a cada ovelha Tua, a cada um dos Teus, porque temos a certeza Senhor, de que entre nós e Ti entre Ti e nós existe um luminoso processo de amor que até hoje não soubemos devidamente valorar.
Vem Senhor, e plenifica-nos as almas e canta beleza e vida em nossos corações para que se instale a renovação, para que se implante a nossa transformação gradativa e persistente.
Meus filhos, é chegada a hora de profundas definições… Não há mais razão para tergiversações. Ou Cristo ou Cesar… Ou Deus ou Mamon… Ou luz ou sombras… Não há mais porque comportarmos em nossa ação cotidiana o meio termo da acomodação. O mundo exige-nos definições meus filhos!
A morte grassa, violenta, virulenta, esperando a ação daqueles que conhecem a Jesus.
A fome grassa, desgraça, violenta, enquanto o mundo põe fora, no lixo rico das grandes cidades e dos países ditos quase perfeitos.
A angústia dilacera as almas, a solidão deflagra tormentos num planeta de 5 bilhões de encarnados. O paradoxo, meus filhos, tem caracterizado as nossas dimensões humanas.
Vivendo no roteiro da verdade ajustamo-nos às falcatruas da mentira.
Pregadores do verbo luminoso hemo-nos comprazidos nas sombras aturdentes.
Cantadores da esperança elegemos a lamúria, a lamentação, como vestimenta espiritual de cada dia. Caminheiros da Imortalidade nos hemos apegado excessivamente ao material, na demonstração tácita de que ainda não compreendemos em essência a Boa Nova do Sublime Crucificado.
Lá se vai o primeiro decênio de labores da nossa Casa de Renovação. Uni-vos, meus filhos, em torno do Eixo central de todos nós que é Jesus.
Alegrai-vos, meus filhos, ao redor do estuário de bênçãos que a Doutrina Espírita representa para todos nós, e exultai, e cantai o novo amanhã, na certeza de que até aqui o Senhor vos guiou e prosseguirá a guiar-vos sem dúvidas, se vos mantiverdes na fidelidade ao cumprimento dos deveres.
Sede felizes meus filhos, abraçai-vos porque é festa espiritual. Vossos Benfeitores da vida mais alta hoje se confraternizam e dirigem ao Senhor, o Sublime Provedor, as súplicas em prol dessa colméia de trabalhos dedicados.
Sede fiéis! Marchai à frente e confiai que amanhã, em novo dia, todos nós seremos um único rebanho, superadas as lutas, sob a égide de um só Pastor.
Que Ele nos abençoe a todos nós e que vos guarde os passos no Bem hoje e sempre, meus filhos.
Muita Paz!
Despede-se com carinho na dedicação paternal, o humílimo servidor,…
Bezerra.
(Mensagem psicofônica, recebida pelo médium Raul Teixeira, em 29/09/94 na sede da Sociedade Espírita Renovação, na palestra alusiva ao décimo aniversário.)Em ação permanente
Na delongada tarefa do cristão sobre o mundo, faz-se mister atender a os ditames da perseverança, na marcha feliz para a renovação almejada.
É muito fácil iniciar uma jornada, sob os auspícios do entusiasmo, quando as horas ridentes apenas falam de esperanças e sonhos.
Importa, porém, que tome o servidor na pauta cotidiana, o fio da ação, no contínuo labor que lhe exigirá perseverança ao largo dos dias de testemunhos e lutas.
Surgirão, na história da obra iniciada, os momentos de desconsolo do lidador, em face dos maus que lhe atirarão a baba nefasta da inconseqüência, como advirão noites sem estrelas, quando a soledade demarcar-lhe os rumo, convivendo com muitos tendo poucos, entretanto, com os quais possa realmente contar para o ministério do bem.
Encontrar-se-á, o servidor, à beira de variados precipícios, quando os reflexos íntimos, de passado negativo armarem o coro das tentações a minar-lhe o campo das atividades realizadas com devotamento e sinceridade.
Ninguém que empreste sua cooperação na Seara do Cristo passará pelo planeta sem verter as lágrimas dos testemunhos que deverá prestar à frente do trabalho inadiável.
Nenhum servidor da Mensagem Gloriosa do Evangelho logrará rompe os obstáculos da sombra, da ignorância e do mal, sem que conduza pés sangrentos pelas urzes e pelos pedrouços, que estarão a dificultar-lhe a senda.
A obra cristã deverá vivenciar o período de nascimento feliz e promissor; atravessará os tempos de canícula exacerbada ou das geadas negras dos tormentos que adversários da Grande Luz por-se-ão a fomentar nas que se tornará valor adquirido para as conquistas espirituais de relevância. Urge, no entanto, viver essas experiências com galhardia, firmeza de propósitos e disposição, de modo que, superadas as etapas difíceis, possa o trabalhador, ao lado da sua equipe espiritista e decidida, encontrar as abendiçoadas messes do Consolador, sentindo-se veículo nobre do Cristo, servindo na Sua Vinha.
Agora, porém, é o tempo de perseverar, quando o Senhor nos confia novas oportunidades de iluminação da alma, pelo empenho em cooperar na Seara Bendita.
Levantemo-nos com o dia, renovando procedimentos e anelos.
Ergamo-nos como a primavera, florindo o roteiro de nossas lides com as ações luminosas do nosso dia-a-dia.
Façamos a parte que nos compete, sem dar valor à manha dos estróinas, dos equivocados, dos negligentes, dos maus.
O invite do Espiritismo, que revive e amplia as informações cristãs, não nos permite perder tempo com os que barateiam o valor das horas.
Hoje é o nosso dia estuante.
Agora, eis o nosso momento fulgurante.
Ajustemo-nos às responsabilidades que nos são afetas, e, decididos, não contemos decepções ou mágoas. Não nos percamos com melindres ou melindrosos, que não desejam seguir adiante.
Temos um compromisso com Jesus, e nada, nem ninguém, nos deverá deter…
Persistamos nos objetivos do Senhor, que é o de nos converter em operosos obreiros da Vida, sabedores de que se hoje os sonhos nos embalam, na seqüência dos dias é que demonstraremos a realidade da fé e a dimensão da coragem que nos vitaliza o espírito.
Avancemos, então, sem desânimo, sem fantasias.
Quando todos se forem, convidados pelos fogos-fátuos do mundanismo, dos prazeres fugazes e falatórios vazios, dos modismos que arrastam e consomem, persistamos nós, pela grandeza do Cristo que se imprime em nosso ser.
Servir no começo das lides, portanto, movidos pelos licores do entusiasmo passageiro é fácil, sem dúvida, contudo, permanecer no quotidiano dos testes e pelejas necessários, é tarefa dos afervorados espíritos que, cheios de amor e devotamento, unem-se para erigir o Reino dos Céus na Terra, sob o influxo do sublimado amor de Jesus-Cristo, o perseverante Embaixador de Deus no mundo desde o seu começo até os tempos atuais.
Lins de Vasconcellos
(Mensagem psicografada pelo médium J. Raul Teixeira, em 22.09.1985, na Sociedade Espírita Renovação – Curitiba/Pr.)
Renovação

Engajados nos iluminativos serviços da Seara de Jesus, faz-se imprescindível que o trabalhador modesto da Oficina de Luz empenhe-se, com todos os esforços, para:
- ser amigo, abrindo mão da animosidade desgastante;
- ser verdadeiro, deixando de lado a aparência enganadora;
- ser moderado em todas as coisas, rompendo com o estouvamento nefasto;
- ser autêntico junto àquilo em que crê, evitando contatos com a hipocrisia;
- ser altruísta, despegando-se da tormenta egoística;
- ser trabalhador eficiente, sem atrelar-se à pachorra ou à preguiça que degenera a alma;
- ser manso, desenlaçando-se dos vínculos com a violência; ser prudente, sabendo isolar-se das armadilhas da imperícia;
- ser homem de fé, cumprindo com os compromissos na esfera do bem renovador, em todo lugar; ser disposto ao estudo sério, desligando-se da praça da ignorância que imita e oprime;
- ser bom, sem pieguismo, desfazendo as nódoas do mal enquistante;
- ser afetuoso, sem jungir-se à inconveniência;
- ser caridoso, cooperando lucidamente com o crescimento dos irmãos do caminho evolutivo; ser o cristão verdadeiro, mantendo-se fiel aos ensinos do Mestre, exemplificando com a própria vida o conteúdo que transmite através da palavra.
Somente desse modo, construindo sobre os escombros do homem-velho enfermo, a edificação do homem realmente cristianizado, deparar-nos-emos com a realização dos propósitos divinos que são, em última analise, a condução da criatura humana para os Altos da renovação espiritual.
Ivan de AIbuquerque
(Mensagem psicografadas pelo médium J. Raul Teixeira, em 30.09.1984, na SER-Sociedade Espírita Renovação – Curitiba/Pr)
Escala de Plantões de Passes
Prezados Trabalhadores,
Já está em nosso site a escala completa de plantões de passes do segundo semestre de 2011. Vocês podem consulta-la em http://www.ser.org.br/departamento-doutrinario/depto-passes/
Lembramos a toda a comunidade que as equipes de plantão de passes atende ao público em geral nos sábados às 17:30h.
Atenciosamente,
Equipe de Multimeios



